as construções menos oportunas da cidade

Peniche é uma terra com muito potencial turístico, que não é explorado ao máximo. Parte da culpa têm os erros urbanísticos que foram sendo cometidos ao longo do tempo e destruíram significativamente a beleza da cidade. Esta lista pretende portanto dar a conhecer as construções que mais contribuíram para a cidade ser mais feia e causar pior impressão nos turistas.

Edifício Berlenga


Este clássico mamarracho é a primeira entrada nesta lista. Não faz nenhum sentido haver um prédio tão alto.

Edifício Verde Mar


Uma desgraça do mesmo género que a anterior.

Prédio da União dos Bancos


Já falei muita vez dele mas vale sempre a referir as linhas verticais, a cota elevada, enfim, nada a ver com a Avenida do Mar.

Prédios no centro

Há dias um colega meu que tinha visitado Peniche dizia-me como a minha terra era mesmo feia.
Esta má imagem fica na cabeça dos visitantes porque nos anos 80 e 90 o centro da cidade foi estragado por prédios que além de feios têm uma cota ridiculamente alta que não tem nada a ver com o perfil das outras construções.
Esta moda parece já ter acabado mas a cidade ainda vai por muitos anos sofrer as consequências.






Pavilhões da prisão política


Estão no meio do nosso monumento mais visitado e são feios que doem.
Eu percebo que pela sua cor política seja um tema sensível para este executivo, mas que um dia alguém faça alguma coisa quanto a isto. Quanto mais bulldozers meter, melhor.

Capitania / Segurança social


Uma estupidez completa construir em cima da muralha. É uma das entradas rodoviárias em Peniche e tem um ar de desprezo pelo património nada encantador.

Restaurante Nau dos Corvos


Passámos a ter a vista tapada num lugar que era das nossas melhores mais valias.

Clube Naval


A cota não é alta, o local também não é delicado. Se tapa a panorâmica que era a principal atração da zona mais frequentada da cidade? Sim, mas não é relevante.
Se quem gere o planeamento urbano apenas decide pela cota e área de construção então metemos uns computadores a fazer o trabalho e poupamos uns trocos. Daqui a amanhã o turismo vai todo para a Nazaré ou Santa Cruz, mas agora há mais coisas a fazer do que perder tempo com pormenores.

É só para voltar a pedir que no post abaixo digam os monumentos que conseguem identificar. Porque preciso dessa informação para saber o que hei-de escrever sobre eles. Thanks :)

pequeno guia do património esquecido e ostracizado #0

A acompanhar a mudança de visual para cores um pouco mais femininas, vamos começar um guia que vai enveredar pelos nossos monumentos mais maltratados. Parte da informação e algumas fotos já apareceram noutros posts aqui do sítio, mas como é um assunto pelo qual me interesso bastante e sobre o qual há muito pouca informação, acho que vale a pena libertar aquilo que ao longo do tempo fui aprendendo.

Este guia vai falar muito pouco da história destes sítios porque não sou a pessoa indicada para o fazer. Quem se interessar tem os textos do Prof. Mariano Calado e do Sr. Fernando Engenheiro, onde está grande parte da informação existente. Eu vou dedicar-me sobretudo à relação que a cidade tem estabelecido com o seu património e fazer um balanço do estado atual de cada lugar.

Estes são alguns dos sítios por onde vamos passar:






Conhece-os? Todos? Nenhum? Um ou outro? Quais? Diga na caixa de comentários. A interatividade é uma cena fixe. :)



Hoje é um dia especial para recordar o sofrimento dos presos políticos, tendo grande parte deles (pelo menos 2170) cumprido pena em Peniche.
Como tal, fica aqui o link dos relatos de algumas das fugas que ocorreram nesse período.


No Big Brother Famosos todos são pagos mensalmente. Menos a Carolina Salgado que recebe à hora.

António Raminhos
Hoje podia deixar aqui uma foto do Farol mas em vez disso deixo várias.


Hoje, que é Dia Mundial do Livro, gostaria de vos deixar um conto do meu autor favorito.
Singularidades de um rapariga loira inaugurou o estilo realista, e não sei que poções Eça meteu nele, mas é um conto do caneco. É tão bom que devia pagar imposto.

"Governo cancela as despesas correntes e a Universidade de Lisboa fica sem dinheiro para papel" - Ministro das Finanças aconselha os estudantes universitários a limpar o rabo à Constituição.

João Quadros

bater punho


Entrevista de Miguel Gonçalves ao jornal i.

Este indivíduo tão rapidamente ganhou popularidade como num instante a perdeu. Eu que nunca achei grande piada ao estilo (falar muito e dizer pouco) estou agora rendido à frontalidade do senhor. Não que diga nada de novo, mas diz aquilo que apesar de toda a gente pensar ninguém vem dar o peito às balas. E ainda por cima faz parte do governo. Um aplauso.
Selecionei algumas das coisas que ele disse na entrevista capazes de suscitar ódio e raiva avulso por parte de muita gente (mas não gente de bem, acredito).

Um senhor de 45 anos que trabalhou 25 anos na banca. Só conhece a banca, só trabalhou na banca. Recusa-se a trabalhar em qualquer outro mercado. O que sugiro a essa pessoa é que, ponto número um, consiga perceber de que forma as suas competências podem ser aproveitadas noutro mercado ou, ponto número dois, e porque ainda tem 20 anos de trabalho pela frente, aprenda a fazer outra coisa.

Eu não considero que o problema do desemprego é dos desempregados, estou a dizer é que a solução para o desemprego é dos desempregados. Essa é que é a grande diferença. E, se calhar, pode chocar dizer isto, mas muitos dos que estão desempregados, estão desempregados porque, ponto número um, não querem trabalhar e, ponto número dois, são maus a fazê-lo.

Às vezes, as pessoas pensam que os desempregados são pessoas extraordinariamente focadas, profissionais, rigorosas, cheias de fibra, de atitude e competência. Não são. É mentira.

De repente, sempre que falamos de desemprego, parece que nos esquecemos dos fenómenos das pessoas que vão às empresas pedir para carimbar no IEFP. Essas pessoas existem e são aos milhares.

Não tenho problemas nenhuns em dizer que há muita gente em Portugal que não trabalha porque não quer, porque não sabe trabalhar ou porque não tem as competências necessárias. Não é um mito, é o que eu vejo e me transmitem todos os dias. Mas, ao mesmo tempo, também vejo muitos que vão curar o cancro, há muitos que vão competir com o Google.

Houve até agora duas páginas em Peniche que conseguiram em grande escala cair na graça dos penicheiros: os Amigos de Peniche e o Peniche Online. Fecharam os dois, num espaço de meses, porque a participação das pessoas é uma miséria completa.
Eu também tenho a experiência aqui no meu modesto estaminé que os comentários são poucos e brutos, mas aprendi a não dar importância e vou continuar a não dar. Creio que aquilo que escrevo sobre Peniche tem alguma pertinência e acredito que alguém lá no fundo há-de concordar comigo, nem que seja só a minha mãe.

Agora a verdade é que acho uma pena ser tão mau o feedback que me chega a mim e aos bloggers que já desistiram de dar o seu contributo para a melhoria desta cidade.

Jorge Gonçalves entra na corrida para as autárquicas. O seu grande trunfo é não usufruir de salário uma vez que está aposentado:
A câmara deixaria de pagar o ordenado de presidente e direcionava esse dinheiro para o apoio às pessoas.

Se isto não é demago... honestidade não sei o que é.

Eu não tenho dúvidas, na maior parte das vezes os partidos políticos põem os seus interesses acima dos do país, e creio que o estado em que estão as contas públicas se deve a muito dinheiro em vez de ter sido investido na economia ter ido parar a bolso alheio. Henrique Monteiro afirma: Um desafio importante é saber como nos podemos livrar desta canga.
Mas será que é possível invertermos a situação? Eu começo cada vez mais a achar que não. E a menosprezar profundamente tudo o que envolva o estado ou dinheiros públicos.

Esta cena faz parte do filme que eu deixei aqui no blog.


Será que consegue identificar esta zona da cidade? 
Se não conseguiu, onde acha que podia ficar? No Vila Maria? No Lapadusso? Outro sítio?

A resposta está aqui.

O Adriano Constantino passou-me dois documentários sobre Peniche e arredores. O primeiro deles foi feito pela RTP nos anos 60:


somewhere in russia



meio-baluarte da gamboa: a salvação


Mesmo que a estratégia de começar por fazer todo este barulho para depois dizer que só agora se percebeu que o governo central nunca ia meter dinheiro para a brincadeira (novidades...) possa não ser inocente na altura em que estamos, a verdade é que é uma obra que pela sua falta de visibilidade (mesmo com o executivo a bombardear os media com esta história) não dá votos e está sujeita a uma série de processos burocráticos e de fiscalização que a tornam mais onerosa. Significa que este executivo se preocupa a médio e longo prazo com a cidade e isso é muito positivo.

cartaz cultural #4


Não há condições.

rua antónio da conceição bento



Para mim a evolução da Rua António da Conceição Bento é um fenómeno bastante interessante, pois é exemplificativa da enorme expansão geográfica da área habitacional de Peniche no século XX. De tal forma que esta rua passou por duas completas metamorfoses desde a década de 40 até ao início do novo século.

Nesta foto da década de 40 vemos como toda esta área era preenchida por terrenos agrícolas:


Pouco depois começaram a ser construídas as primeiras moradias, que aparecem no vídeo:


Repare-se a semelhança deste tipo de urbanismo ao verificado atualmente noutras zonas periféricas da cidade, por exemplo na Estrada dos Remédios:


Trata-se, cada uma no seu tempo, de zonas suburbanas para onde vão estrear casas aqueles que saem da casa dos seus pais ou amontoaram o suficiente para construir uma casa à sua medida.

Rapidamente o aumento da população e do seu nível de vida forçou a cidade a expandir as suas fronteiras, o que levou à valorização monetária dos terrenos das redondezas. António de Jesus Lourenço captou em 1983 a transição entre uma fase e outra:


A última alteração nesta rua deu-se em 2003, altura em que foi demolida a casa que aparece à direita na última foto:


E não se arranja um vídeo da demolição com uma música fatela a passar?


Hoje em dia temos de chegar ao fundo da rua para podermos ver o que resta da fase periférica da António da Conceição Bento. No entanto, e apesar da evolução urbanística poder ser um pouco atrasada pela crise que estamos a atravessar, o mais provável é que um dia também estas casas dêem lugar a prédios que tirem mais proveito do valor do terreno onde se situam.


A que é que se deve o estranho caso da Rua António da Conceição Bento, que em 60 anos passou por dois estágios totalmente diferentes? Creio que esta mudança tão súbita está associada ao facto de até meados do século passado haver dois núcleos habitacionais bastante distintos: Peniche de Cima e Peniche de Baixo. E entre eles era terra de ninguém. À medida que as duas partes se foram expandindo, precisaram de encontrar um espaço que lhes pudesse servir a ambas das necessidades comerciais e habitacionais. E assim a Rua António da Conceição Bento passou a ser o centro da povoação em vez da periferia de duas.

die welle


Die Welle é um filme alemão baseado na experiência levada a cabo por Ron Jones com os seus alunos numa escola da Califórnia em 1967. Vendo a dificuldade que os seus alunos tinham em perceber como foi possível ao Partido Nazi reunir um amplo consenso entre a população da Alemanha pré-Segunda Guerra Mundial, Jones decidiu formar com os alunos uma comunidade autocrática, a qual liderou até chegar a resultados bastante impressionantes: ao quarto dia da experiência, os 43 alunos da turma estavam certos de que a comunidade iria instaurar uma nova ordem mundial.

A supressão da inveja que os colegas tinham uns dos outros é das principais razões que os faz prenderem-se e envolverem-se tanto na comunidade. Aqueles que nunca tiveram amigos que os defendessem, colegas que os ajudassem a estudar, dinheiro para gadgets, de repente vêm-se envolvidos num grupo em que tudo é partilhado e todos estão no mesmo nível, e o desejo de ter mais ou ser melhor é substituído pela vontade de fazer o melhor para o grupo.

É algo que tem um enorme reflexo nas nossas vidas, a todos os níveis, desde o nosso comportamento social à nossa participação política. E é a causa de as pessoas serem tão dependentes das outras, do governo, da família, não se mexerem por vontade própria, mesmo que pudessem fazer mais e melhor. 

Li uma vez que o socialismo é tão bem recebido e desejado pois dá miséria para todos em vez de haver uns na miséria e uns poucos acima (mesmo que sejam os melhores). E, o que para mim é mais complicado de perceber, a iniciativa pode vir de cima, porque se todos à sua volta estiverem numa situação, seja ela qual for, o ser humano não ambiciona chegar a uma melhor, mas sentir que é como os outros. Que faz parte.

realidade paralela

Após as conclusões das negociações, o ministro das Finanças do país apresentou a sua demissão ao Presidente, na sequência da criação de uma comissão que vai investigar as causas da crise que se instalou no país.

poços de Peniche

À falta de melhor assunto, até porque já não vou a Peniche há um mês, deixo-vos este mini-documentário filmado por mim e apresentado por um amigo sobre os poços de Peniche e no qual está patente a minha intrépida incursão por um túnel da Fonte do Rosário:


Este filme foi apresentado à população (posso segredar que Tozé o próprio riu-se muito com a piada sobre os turistas) no âmbito do trabalho sobre o Convento do Bom Jesus que apresentei no 12º ano e se veio a revelar bastante infrutífero, como vou passar a revelar numa secção que era para se chamar "debaixo de sombra" mas afinal vai ser o "pequeno guia do património esquecido e ostracizado" (pelo menos até eu arranjar um nome melhor). De qualquer forma antes de a deixar pronta ainda preciso de fazer algumas coisas em Peniche (se virem um tipo a tirar fotos nos vossos quintais não disparem sff), por isso vou mantendo o blog a meio-gás.

as boas notícias também têm de se dar (às vezes)

O líder executivo da Living PlanIT, o britânico Steve Lewis, acredita que será possível começar a construir a PlanIT Valley, a "cidade inteligente" de Paredes, ainda este ano. Esta "cidade inteligente", para a qual estão previstos o desenvolvimento e uso de aplicações tecnológicas criadas pela holding, está a demorar "muito mais do que o previsto" a concretizar-se, mas Steve Lewis garante que não vai desistir do projecto.
A culpa - já se tinha dito - foi da crise financeira. "Tínhamos muitas empresas a assinar acordos connosco e, em situações normais, isso dar-nos-ia acesso ao mercado e poderíamos pedir dinheiro para construir a cidade. Mas Portugal viu-se no centro da crise económica", explica Steve Lewis, CEO da Living PlanIT. Seguiu-se a desconfiança, a possibilidade de o país abandonar o euro e, consequentemente, a impossibilidade de captar investimento, justifica. Por isso, a melhor opção foi "ficar calado" e esperar. "No último ano e meio temos falado com o mercado de investidores e a visão começou a mudar. Este Governo conseguiu credibilidade", argumenta o líder da Living PlanIT.


agora é a sério


Ricardo Araújo Pereira, que é o maior, tem vindo a mudar o seu estilo. Quer começar a ser levado a sério. E eu, apesar de não partilhar a sua ideologia política, acho que a esquerda merece um tipo a escrever com piada (têm sido todos da direita). Porque são os textos com piada que mexem com os nossos sentidos quando estamos a ler. Ler mal do governo hoje em dia é uma rotina e é preciso haver alguém que a quebre e nos agarre expondo-nos todo o ridículo da situação de forma serena e esclarecedora, mas inquietante.
Não como o PCP que ladra a todos os carros que passam, mas sim como a aranha que tenho na marquise e foge cada vez que a vou matar. E cuja amiga uma vez pregou-me um susto ao apanhá-la a percorrer-me o braço, que eu sou um mariquinhas e aquelas são das rechonchudas. Quero dizer, companhias desconfortáveis são bem vindas. Não que façam com que isto volte tudo ao sítio num instante mas servem para nos manter alerta.

A olaria romana de Peniche, via Adriano Constantino.

Revista Sábado: Mas a cidade [Rio de Janeiro] estava muito violenta na altura.
Cantora Dora: É verdade. Mas só fui assaltada duas vezes.

Entretanto na Rússia os ricos trocaram as limusines por ambulâncias com interiores ultra-luxuosos para poderem andar depressa sem serem interrompidos pela polícia. True story.

O Sócrates comentar a política actual é como eu dar uma festa, deixar tudo sujo mas depois mandar bocas quando a minha empregada estiver a limpar.


Nilton

o castelo de leiria

No passado fim-de-semana fui pela primeira vez ao Castelo de Leiria. Já sabia que o monumento tinha sofrido um forte restauro, mas durante a visita houve várias coisas que me intrigaram.  Primeiro, o bloco principal aparenta estar apenas parcialmente restaurado, o que não é usual, e além disso em fotos antigas aparecem várias colunas intactas na varanda, mas só as dos extremos aparentavam ser originais.


Consultando a Wikipédia, obtive a seguinte informação:

Já no final do século XIX, por iniciativa da Liga dos Amigos do Castelo, que pretendia fazer um estudo do castelo e iniciar a sua reconstrução. O arquitecto Ernesto Korrodi elaborou um projecto de restauro das ruínas do castelo (Zurique, 1898), que foram classificadas como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910. 
Finalmente, em 1915, a Liga iniciou as obras de restauro pleiteadas, com fundos próprios e o auxílio do poder público, através daDirecção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Este órgão, entretanto, não aceitou o nome do arquitecto suíço para a direção das obras, paralisadas no ano seguinte. De 1916 a 1921 começa-se com a consolidação das ruínas, melhoramento dos acessos e reconstrução da torre de menagem e da muralha (esta que é concluída em 1937). Os trabalhos mais interventivos foram retomados, a partir de 1921, quando uma derrocada parcial nos muros lhes imprimiu caráter de urgência. Korrodi foi finalmente nomeado diretor das obras, à frente de uma comissão sujeita à DGEMN. O seu trabalho desenvolveu-se até 1934, quando ele sai do projecto. As obras, porém, prosseguiram na década de 1930, com base nos seus desenhos. As campanhas de recuperação foram retomadas pela DGEMN em meados da década de 1950, prosseguindo nas duas décadas seguintes. Em 1955 a 69 a igreja da Pena é recuperada, e do projecto também faz parte a reconstrução dos Paços Novos. Novas campanhas se sucederam a partir de meados da década de 1980, prosseguindo pela década de 1990. 


O Pátio Interior, de interesse histórico e arquitectónico é testemunho das políticas de restauro do monumento no século XX, com destaque para as opções pela falsa ruína e pelo trabalho intencionalmente inacabado.

Algumas das intervenções promovidas por Korrodi foram posteriormente desfeitas, considerando-se que o seu projecto pecava por excesso de romantismo, sem respeitar o real perfil (original) do monumento. 


A existência de falsas ruínas chamou-me à atenção e fui pesquisar as internetes para perceber o que passara durante o processo de restauro.

Quando Korrodi chegou a Leiria, o castelo era algo deste género:


O seu plano era devolvê-lo ao seu auge (século XV):


No entanto, o seu projeto só foi seguido em parte:


Em vez disto:


Ficámos com isto:


Como se pode ver na próxima foto, anterior ao início dos trabalhos de restauro, as paredes em ruína hoje presentes são uma invenção do século XX:


O processo de restauro foi pouco pacífico, com Korrodi e a DGEMN a trocarem acusações de não se estar a respeitar o perfil original do monumento e a haver constantes alterações ao projeto, cuja implementação se extendeu por meio século.


A certa altura foi construído um passadiço numa zona agora totalmente coberta, e pela diferença de tonalidade do betume também podemos adivinhar que na primeira fase de restauro a parede à esquerda teria uma dimensão menor.


A casa do guarda também levou um restauro um tanto ou quanto criativo:


Eu percebo que deixar coisas por restaurar ou até inventar ruínas pudesse servir para dar um ar misterioso e romântico ao monumento, que é o que ele teria há cem anos atrás. Mas na prática, não resulta. Parece que faltou pedra ou que uma enxurrada a semana passada levou as paredes com os porcos. Queria acabar o post com um bom exemplo de restauro de um castelo, mas não me lembro de nenhum. Os melhores que conheço já chegaram até nós relativamente intactos. Outros, como o de Leiria e de Lisboa, além de valerem como monumento ainda servem como memória das correntes restauradoras do século XX.

Após a repressão da Praça Tiananmen, em 1989, os países ocidentais levantaram um bloqueio na venda de equipamento militar à China.
Graças a tal, a China desenvolveu exponencialmente a sua indústria de armamento e é hoje o quinto maior exportador mundial.
E pronto, queria escrever a moral da história mas não sei sequer se existe alguma. 

No bom caminho para daqui a poucos anos deixarmos de viver sufocados em impostos.
(e a procura interna crescer)

plano para hoje #6 papôa

O panfleto da lista do PSD para a Freguesia da Ajuda há quatro anos atrás, encabeçada por António Sequeira, apresentou curiosos renderings de obras para a Papôa.

Para o Portinho do Areia Norte é proposta a consolidação da arriba, num projeto que tem tanto de megalómano como de inútil. E não é deixado de parte o monumento a um acidente que ocorreu há 227 anos.


E também há o já conhecido no blog glorioso projeto para o Quebrado e que, além da substituição integral do alcatrão por calçada portuguesa, envolve um jato de água a sair de uma breguilha.


Atualização: encontrei a original.

plano para hoje #5 aquário

Filipe Pereira é o autor de uma página no Facebook onde alimenta a possibilidade de construir um aquário em Peniche. Estas são algumas algumas das suas ideias para diferentes áreas do edifício:






Quando estas duas últimas imagens foram publicadas no Facebook a estrutura levantou-me algumas reservas no sentido em que é impossível uma massa tão grande de água estar suspensa. Transcrevo a conversa com o autor:

José Carlos Romão boas. umas contas: se as dimensões da parte suspensa forem 150 x 300 x 100, haverá 4500000 dm3 de volume, ou seja, 4500000 litros de água, o que equivale ao peso de 56250 pessoas com um peso médio de 80 quilos. quero dizer com isto, acho que todo o edifício precisa de estar completamente apoiado no solo.

Aquário de Peniche Bom dia José Carlos Romão! Confesso que estou um pouco confuso com as medidas que escreveste, pois não consigo perceber onde as foste buscar. Seja como for, e ainda que os meus conhecimentos técnicos ao nível da engenharia de estruturas seja muito parco, posso assegurar-te que essas medidas não coincidem com as que utilizei na criação deste rendering 3D do exterior do edifício. As medidas da estrutura superior do edifício são 45 x 54 x 9 metros, sendo que a base terá praticamente 5 metros de altura. Isto faz com que a parte suspensa seja de 45 x 18 metros, perfazendo uma área em suspensão de 810m2. O volume de água que está pensado deverá ser de apenas 2.000m3 e não 4.500m3. Além disto, a parte suspensa corresponderá quase inteiramente à zona do Restaurante, com respectivas dependências (cozinha, lavabos, etc), e escritórios, não havendo, portanto, forças tão grandes a pressionar essa zona. Todo o volume de água estará assente na base. Espero que estes esclarecimentos sejam úteis. Um resto de bom dia...

Aquário de Peniche Posso acrescentar que. hoje em dia, em termos de estruturas, existem materiais que estão cada vez mais a ser usados no lugar do tradicional betão armado que são mais leves sem perderem a resistência para grandes pressões. Estes materiais permitem a construção de vãos suspensos com medidas incríveis, sem perder estabilidade. Esses mesmos materiais, alguns deles, pelo menos, estão naturalmente a ser equacionados para o projecto.

José Carlos Romão pelo desenho fiquei com ideia que parte do volume de água estaria suspenso. não sendo o caso, tudo bom. eu só comentei porque aplaudo a ideia e no que puder contribuir, espero ajudar

Aquário de Peniche Muito obrigado, é sempre altamente motivador quando vemos as nossas ideias serem bem recebidas por outras pessoas. Fica registada a tua disponibilidade para nos ajudares, teremos isso em conta!

Francisco Germano Vieira também deixou o seu contributo. Eu pessoalmente penso que um dia a ser construído um aquário poderia ser integrado num espaço mais abrangente dedicado ao mar, englobando as artes pesqueiras, construção naval, biodiversidade, naufrágios e turismo, ou não muito longe disso. Também possível seria a coordenação com uma unidade de investigação, ligada ao IPL. Exemplo de um espaço polivalente deste género é o Museu Marítimo de Ílhavo.


Porquê este carro, Sr. Bispo? É que a fortuna da igreja é feita à conta das camadas mais pobres da sociedade. Da próxima vez que eu for à missa vou dar alguns cêntimos a menos. Tantos como os cavalos que o carro do Sr. Bispo tem a mais que o meu.

plano para hoje #4 dunas

Raquel Pancada escolheu como tema da sua tese de mestrado em Geografia Física e Ordenamento do Território a análise da vulnerabilidade das dunas e medidas possíveis de serem implementadas que se estendem de Peniche de Cima ao Baleal:



Conforme se pode ver na figura de cima, é proposta a vedação de todo o espaço dunar e a substituição dos atuais caminhos de acesso à praia por passadiços sobrelevados. É oneroso, de difícil manutenção e, na minha opinião, em grande parte desnecessário. Não me parece que as dunas precisem de muito mais proteção do que a existente, desde que não haja abusos.