pequeno guia do património esquecido e ostracizado #6 fortim do baleal


Esta fortificação foi mandada construir por Junot, estávamos nós em 1808.



Comparando uma vista aérea com uma planta de 1895, foi-me possível verificar que ainda existia o muro que barrava a entrada no forte, e, por fotos nas internetes, que nesse muro havia uma falha com uma forma curiosa. Quanto à muralha em semi-círculo que protegia a zona onde terão assentado os canhões, dei por certo já nada existir por não a identificar na vista aérea.

Depois deste prognóstico, dirigi-me à fortificação, onde identifiquei rapidamente a antiga entrada.


No entanto, a erosão não espera pelos bloggers e já não fui a tempo de ver o bocado de muro que a modos de dizer faltava.


Mais adiante está o pavimento de uma possível bateria:


Aí perto conseguimos identificar os vestígios de uma pequena estrutura circular assinalada na planta cuja finalidade desconheço (torre de vigia?/ farol? ...)


E ia eu dar por concluída a incursão, quando a passar pelo lado Nascente do ilhéu reparei que havia um muro a suportar uma elevação:


Com alguns intervalos, o muro contorna esse morro em cima do qual eu tinha estado sem dar conta de que era uma elevação artificial:


De uns rochedos ao pé da igreja tirei é possível ter uma boa perspetiva deste local, que corresponde à bateria em semi-círculo que eu julgava já não existir.


Infelizmente estes muros estão a cair deveras, por culpa da pressão exercida pela terra e plantas que lá cresceram. O mesmo acontece na bateria da Consolação ou em vários pontos da cortina oriental de Peniche.

Para evitar a derrocada em curso seria necessário remover a terra que se foi acumulando, ou seja, meter meia-dúzia de homens a cavar durante um dia e despejar umas quantas sacas de areia para evitar que voltasse a crescer vegetação.
Não deixo estas sugestões à espera que alguém as tome em consideração, mas sim para que daqui a muitos anos quando eu for velhote (assim Nosso Senhor o permita) possa ser um chato do caraças e escrever artigos na Voz do Mar que terminem invariavelmente com "eu bem vos avisei, mas ninguém me deu ouvidos!" É o meu projeto de vida e faço questão de cumpri-lo.
Nem que A Voz do Mar por essa altura se chame Netos do Mar.
Fico-me com esta.

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