barraca

Estava eu a passar junto às barracas das farturas quando mesmo à minha frente pára uma carrinha branca. De lá saem meia-dúzia de senhores e uma senhora, a maioria de meia-idade, com sacos pretos na mão a correr para as barracas dos ciganos. Tinham escrito ASAE nas costas.
Rapidamente abrem os sacos e atiram lá para dentro o que encontram pela frente. Agentes da polícia seguem-nos e bloqueiam a passagem às pessoas. Uma carrinha da polícia de intervenção pára e saem agentes armados e com capacetes.

Eu fico atónito a olhar a cena, sendo isto que o que consegui captar:


Com alguma concentração, é possível encontrar no meio da foto um agente da ASAE (de colete preto com riscas brancas) e à direita o cordão policial.
Não me atrevi a tirar melhores fotos com medo de que os agentes pensassem que eu estava metido com os ciganos e me tratassem como costumam tratar os ciganos delinquentes cá em Peniche.
Pronto, se fosse assim não me faziam nada, mas na altura fiquei tão estupefacto que não deu para melhor.

Fui-me embora e passado meia-hora quando lá voltei estava tudo às escuras e a polícia estava a terminar as rusgas. A saída dos agentes foi acompanhada por uma salva de palmas dos ciganos. Os agentes meteram-se nas carrinhas e foram à vida deles.
Quando já não havia nenhum polícia, alguns ciganos dispuseram-se a partir para a agressão e os ânimos levantaram-se. Sem consequências nenhumas, visto que já lá não estava ninguém.
Nem as sapatilhas a dez euros.
Caramba, se soubesse que isto ia acontecer tinha comprado meia dúzia de pares daquilo.
Carrinhas brancas a parar ao pé das farturas?
Nunca mais me apanham com essa.

live on tv

Emissão da RTP em direto da ribeira de Peniche aqui.

Cuidado: Contém Serenella Andrade.

uma questão de etiqueta

Comprei uma camisa da marca Ribeiro Babo.
Acontece que enquanto as restantes empresas têxteis descrevem os seus produtos como confortáveis ou elegantes, a Ribeiro Babo não se fica por aqui, conforme pude comprovar na etiqueta:


Sou pois o feliz proprietário de uma camisa vibrante e irresístivel. Mas o que mais me intriga é a minha peça de vestuário ser o ponto de partida desta história.
Não sei é qual é a história. Tanto pode ser apaixonar-me pela mulher da minha vida como ser atropelado por um camião de conservas.
Por isso peço encarecidamente à Ribeiro Babo que me esclareça a história em que estou metido, para não haver aqui mais confusões e outras surpresas desagradáveis.
Obrigado.

emparedamento #7


estacionamento



Não me lembro se o ano passado já havia disto, mas agora não se pode dizer que há falta de lugares para estacionar no Baleal. Acho que só falta sinalização para indicar este quase interminável parque, pois da sua entrada não dá para ver a sua extensão e os carros podem ignorá-lo e prosseguir a demanda por estacionamento.

civilização


Como o sempre atento leitor já terá porventura notado, a feira da Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem entrou no século XXI.
Grande parte dos postos dos comerciantes estão agora dentro das estruturas desmontáveis que outras feiras de cariz mais específico costumam apresentar, como a do extinto Sabores do Mar, até com o nome de cada comerciante exposto. Mesmo havendo ligeiramente menos comerciantes do que antigamente, chegam perfeitamente.
Gostei que a feira se tivesse civilizado.

capa #4 come together

The Beatles 1969

Arctic Monkeys 2012

antónio sala

Depois de uma simpática carreira radiofónica e televisiva, António Sala decidiu sair do devido descanso para ser júri num programa onde não se via tanto palhaço desde o Batatoon.

E como uma desgraça nunca vem só, achou por bem aproveitar-se do desespero dos portugueses para dar a cara a uma casa de ouro. O anúncio vale nem que seja pelos testemunhos dos clientes (muito mais que) satisfeitos.

o drama o horror a tragédia


Quem hoje circulou de manhã em Peniche ter-se-á porventura apercebido deste belo serviço.
Dá a entender que o Fiat Punto embateu no Mercedes. Que não deve ter respeitado o STOP.
No fim das peritagens da polícia, o Mercedes arrancou e saiu e o Fiat teve de ser empurrado por agentes e populares.

Moral da história: não comprem Fiats Puntos, comprem Mercedes.

como remover travões

Eu não percebo muito de mecânica mas o Google também não me está a ajudar.


preto no branco


 Anúncio verídico

capa #2 hurt

Nine Inch Nails 1994

Johnny Cash 2002

um amor só meu

Como o mais astuto leitor já terá tido ocasião de reparar, entramos hoje no nosso querido mês de Agosto. Para celebrar este dia especial, que só ocorre uma vez por ano, deixo-vos com um texto de Fernando Alvim:


De maneiras que o que aconteceu foi isto e foi muito simples: eu vi-a. Era uma noite normal, foi por volta das 2 da manhã, talvez 2.30 não sei bem. O que eu sei, é que ela usava uma camisola às riscas azul e branca, tinha o cabelo comprido e falava animadamente com uma rapariga e um outro rapaz, que mais tarde percebi ser só um amigo: era só um amigo. A camisola às riscas azul e branca, não sei porquê, fazia-me lembrar aquelas tendas de praia que quando era miúdo, a minha família alugava em Vila Praia de Âncora ou em Moledo, e quando estava frio ou vento, metíamo-nos todos ali dentro e sinceramente não me lembro de ser tão feliz. Muito mais do que um dia de sol, porque nos dias de sol, a minha família não se unia tanto como naquela tenda tão pequena. Onde é que eu ia? Exactamente, ela lembrou-me esse verão, se quiserem ela até pode ser esse verão, essa praia, esse tempo onde estamos todos dentro da tenda, o que seja. O que é certo é que eu estava no bar. Ela a dois metros com uma amiga muito bonita que com ela estava a falar de rapazes. Era sobre rapazes que eu bem sei, porque se observarmos bem, conseguimos sempre entender do que é que as mulheres estão a falar. E não é difícil: ou de rapazes ou dos saldos da berska ou dos filhos. Não interessa. Eu a perguntar-me como é que vou fazer isto. Eu a pedir uma bebida qualquer para ganhar coragem aqui dentro e tentar dizer-lhe de uma forma nunca antes vista, absolutamente singular, que ela era tudo o que eu sempre havia procurado, que por mim nada mais ambicionava, que chegaríamos à igreja e eu responderia que sim a tudo, que casaríamos pois, que teríamos filhos com mérito, férias com os miúdos em sítios muito divertidos e nunca antes explorados, que veríamos pouca ou nenhuma televisão, mas que iríamos ao cinema ao ar livre ver filmes da década de 40. E então fiz isto: num acto de grande coragem – palmas por favor para este grande heroi que agora vos escreve - disse-lhe tudo isto. E isto é absolutamente verdade. E a partir daí? A partir daí bebemos os dois, falamos como se um e outro fossemos um livro de muitas páginas, dos bons, dançamos muito perto um do outro, saímos dali para outro bar onde todos pareciam reparar no nosso amor, já no pequeno almoço – com todos a reparem - pedimos uma meia de leite como se o celebrássemos e já no táxi – com o motorista a reparar pois - quando lhe disse a morada de casa dela, foi como de repente ele atirasse arroz pelo ar e se ouvisse “ viva os noivos”. E ao chegar a casa, quando ela subiu as escadas em direcção ao que é seu, percebi por fim o que todos repararam: que este amor era só meu.

emparedamento #5


capa #1 blue monday

New Order 1983

Flunk 2002

capa #0

A haver neste mundo alguma coisa melhor do que emparedamentos, são capas.


Capa, ou em inglês, cover, é quando um músico toca uma música de outro músico.
Na maioria das vezes, o resultado é inferior, mas de vez em quando aparecem versões bastante interessantes da música original.

O Caldeirada Penicheira tem o prazer de dar música aos seus leitores ao passar a mostrar lado a lado a música original e uma interpretação que lhe faça justiça.

emparedamento #1


emparedamento #0

Se Francisco Germano Vieira no seu Pinturas em Peniche nos tem apresentado fachadas de Peniche, eu passo a presentear-vos com emparedamentos de Peniche.

Se há para mim coisa que tem interesse é saber que houve alguém a preocupar-se em fazer uma bonita fachada para tempos depois essa fachada ter como único propósito o impedimento de acesso ao terreno que fecha. Nessa altura a única preocupação é em cobrir as aberturas existentes na fachada e os resultados são muitas vezes preciosidades ímpares.

correio da manhã #10


acrobacia #3

Como reagir se um jipe gigantesco vier na sua direção:


O Professor


Muitos hoje lamentam a morte de José Hermano Saraiva. Mesmo aqueles que não o aguentam dois minutos sem mudar de canal.

Bem, eu vi horas e horas de José Hermano Saraiva. Que muito me entreteram e ensinaram.
No entanto, a história que mais gostaria de ouvi-lo contar não me lembro de alguma vez a ter contado - a dele.

Sendo eu membro da Academia de Coimbra, não posso esquecer que se hoje não estivesse em 2012 mas sim em 1969, ano em que o Professor estava à frente do Ministério da Educação Nacional, à mínima demonstração de pensamento independente José Hermano Saraiva teria todo o gosto em me enviar para o Ultramar.
Portanto, não vou esquecer, nem hoje dia de seu falecimento nem nunca, as vidas destruídas de muita da massa crítica portuguesa à conta do Professor.

Tenho de ser com José Hermano Saraiva, tal como com qualquer outra personalidade marcante da nossa história, imparcial e crítico.

Aprendi isso com ele.

eh toure


Interrompo as férias para dar conta da minha estupefacção com o surgimento desta atividade por terras penicheiras.
Na Praça de Toiros de Peniche.
Que eu não faço ideia onde exista. (vai ser numa praça de toiros desmontável)

Mas pronto, agora com as touradas já não falta muito a Peniche. Que me lembre só lutas de galos.

not dead yet

Olá a todos.

Peço desculpa pela escassez de posts, mas acontece que estou de férias e afastado da internet.
Por isso, aproveitei o único bocadinho a que tive acesso para ganhar uma aposta, ver as notificações do Facebook e vir-vos contar coisas da minha vida. Não têm de quê.


O blog segue dentro de momentos. Quer dizer, alguns dias.

entretanto #9 remédios



Em 100 anos notam-se várias mudanças no Largo dos Remédios, no entanto houve o cuidado de respeitar a sua vocação religiosa. 

correio da manhã #8


opinação #2 museu do mar


A ideia de Museu do Mar é bastante vaga, e creio que por agora ninguém está a pensar num molde muito específico.

Seria um museu bastante focado na construção naval, e como tal possivelmente instalado nos edifícios dos antigos estaleiros na Gamboa.
Poderia ainda estar ligado a mais assuntos relacionados com a vida marítima regional e nesse caso assemelhar-se-ia ao Museu do Mar Rei D. Carlos (em Cascais) e ao Museu Marítimo de Ílhavo.

entretanto #8 capela de santo antónio



Encontramos a nascente do Campo da Torre a antiga Capela de Santo António, vocacionada ao culto até 1869. Ainda em 1810 alojara militares estrangeiros das Guerras Napoleónicas e entre 1832 e 1838 fora depósito de armamento. Já no século XX serviu de sala de autópsias, camarata para alunos da Casa Pia e armazém de artigos para pesca e de peixe. Espera já há várias décadas por novo uso.

correio da manhã #7


entretanto #7 portões de peniche



Na primeira foto, de 1954, podemos ver os Portões de Peniche de Cima antes do alargamento que lhes conferiu o aspecto actual.
Já no início do século XX tinham sido demolidos os portões originais, que a par com o acesso a Peniche de Baixo pela Ponte Velha asseguravam as únicas entradas na vila por meio terrestre. Mas apenas de dia, já que as portas eram fechadas ao anoitecer, havendo quem saísse e ao regressar já desse com os acessos à vila impedidos, pelo que se popularizou o dito Não saias do portão sem dinheiro e gabão (capote geralmente usado pelos pescadores).

correio da manhã #6


opinação #2 aquário de grandes dimensões


Se há algum burburinho quanto à hipótese de se criar um aquário em Peniche, o responsável é Filipe Pereira, autor desta página.
O projeto dele é bastante específico, mas o próprio afirma ser somente uma sugestão.
Francisco Germano Vieira também deixou o seu contributo.

O grande problema é o financiamento.
Porque mesmo a haver investimento, poderia haver lucro reduzido, visto que os turistas que por cá passam vêm fazer praia ou desportos marítimos. Um dia que se invista num turismo mais cultural em Peniche, acho que o aquário é uma ideia a considerar.

truly epic fail


Em San Diego as comemorações do 4 de Julho este ano tiveram um gosto diferente.
Devido a uma falha técnica, os foguetes saíram todos ao mesmo tempo.
E ao que parece foi um bocado épico.

opinação #2 plataforma petrolífera


Eu acho que todos nós ficaríamos felizes com a exploração de petróleo, mas neste caso depende apenas da sua existência em quantidade suficiente ou não.

vídeos


Para quem perdeu a transmissão da RTP nos Supertubos.

opinação #2 porto de águas profundas


O blog Amigos de Peniche fez um post com uma frase de Tozé Correia que resume bastante a polémica:

Tivemos de escolher entre ter um porto de águas profundas ou uma onda que vale milhões.
Escolhemos a onda.

Esta frase mexe connosco. Mas mais do que tudo, é preciso elogiar a coragem de Tozé Correia em assumir a sua posição (que neste momento é a dominante).

Nesse post está uma ampla gama de comentários que espelha a dualidade de opiniões, alguns dos quais vou passar a citar ipsis verbis. 

Possivelmente o Porto de águas profundas traria mais empregos e mais desenvolvimento para o concelho, só que tem um senão, não cria tanto mediatismo , nem dá tanta visibilidade a esse malabarista político. 


Se Peniche tivesse um porto de águas profundas eis o cenário que me vem à imaginação: peniche seria invadida por marinheiros de outros países, muitos deles feios, porcos e maus e, infelizmente, com pouca ou nenhuma educação/ formação. O ambiente da terra seria "de cortar à faca": a prostituição aumentaria e a droga proliferaria. Doenças infeciosas trazidas dos confins do mundo ameaçariam a nossa frágil comunidade. Os nossos filhos jamais poderiam vagar em segurança pelas ruas e pelas prais do concelho. Os restaurantes da Av. do Mar transformar-se-iam em autênticas cantinas onde africanos que trabalham no porão dos navios se acotevelariam sob um cheiro nauseabundo do sovaco do próximo. Sobre as nossas límpidas águas flutuariam mantos de óleo e demais gorduras tão características da referida actividade, as nossas praias seriam invadidas, não por turistas mas por nacos de nafta, por objectos não identificados, por peixes e crustários moribundos, intoxicados pela podridão aquática.


O avô da onda quer agora vender (vender não, que já ninguém lhe compra nada) ou oferecer a ideia que foi ele que nos salvou dos malandros que queriam construir um porto de águas profundas. O que vale é que a mentira tem perna curta.
A verdade (que a maioria das pessoas não sabe) é que para o Ministério das Obras Públicas, Peniche continua a ser considerado um “porto de reserva estratégica nacional” o que significa que se a qualquer momento o país necessitar de mais um porto comercial, não é o senhor TV que vai travar a sua construção.


Nesta página está resumido um colóquio, realizado em 16 de Dezembro de 1996, que defendia a implementação do porto.

Nesta entrevista Carlos Mota, presidente dos Estaleiros Navais de Peniche, defende o porto.

Neste artigo José Miguel Nunes explica o que o leva a opor-se ao porto.

De qualquer forma, os penichenses podem dar-se ao luxo de não terem de se preocupar muito com este assunto, primeiro, porque não há-de ser tão cedo que vai haver dinheiro para construir uma megalomania destas, só comparável a um aeroporto, e segundo, porque a ser construída, será uma decisão da administração central.

Obviamente, isso não implica que deixemos de defender as nossas opiniões.

opinação #2


Até agora tenho sete respostas à pergunta que deixei à direita.
Ainda bem, pois já bastante depois de a deixar ainda só tinha uma. E foi aí que reparei que esta é uma pergunta mais fácil de colocar do que de responder.


Por um lado, porque depende das nossas convicções, e entra com várias variáveis entre as quais a população de Peniche em tempos se dividiu, e que, sendo todas atualmente ou em tempos defendidas acerrimamente, são porventura contraditórias. Mais propriamente, as duas de cima estão ligadas ao progresso industrial e as duas de baixo a uma vertente turística/cultural.

Por outro lado, a implementação de qualquer uma destas hipóteses depende de dados (sobretudo técnicos) que nós podemos não ter.
Vou por isso ajudar-nos nesta escolha e recolher informação sobre cada um destes temas.
Isso não vai influenciar quem tem uma opinião concreta sobre o futuro da região. Mas são temas bastante importantes, e acho que se não são mais falados, por exemplo na blogosfera, é porque temos noção de que podem ser independentes da nossa vontade.
Sendo ou não, vou tentar fazer uma apanha geral disto.

entretanto #6 porto da areia



A continuada extração de pedra durante o século XX explica a enorme diferença nas arribas. 
O pequeno molhe que se vê à esquerda foi construído para servir as embarcações que levavam a pedra para os molhes na ribeira aquando da sua construção. 
As ruínas em primeiro plano são do Forte da Areia do Sul, demolido nos anos 80.

somfest unplugged


(público bem comportado escuta A Jigsaw)

correio da manhã #5


rocóne

Mais uma noite simpática no Somfest.


Ontem a sala já estava bastante completa. O espaço dos DJs é que apesar de supostamente começar às 22.00, às cinco e meia da manhã ainda estava quase vazio. Só depois de os concertos todos acabarem é que o pessoal vai para lá. Isto de vários palcos resulta em muitos festivais de verão mas neste Somfest Peniche 2012 não se revelou muito bem sucedido.

adivinhe o monumento #6


#clicar na imagem para saber a resposta

correio da manhã #4