álbum de fotografias #3 obras no fosso

O leitor nunca fantasiou com a ideia de andar no meio do fosso?
Foi isso mesmo que eu hoje fiz hoje à tarde, e aqui estão as provas.

Por favor não faça isto em casa.





Antigamente esta zona tinha uma dinâmica bastante diferente, servindo de porto de abrigo para as embarcações de pesca, antes de serem construídos os molhes. Talvez um dia voltem a navegar aqui barcos, mas de recreio.


A extração do lodo continua, hoje estavam no Baluarte da Ponte.



E a eclusa está quase pronta.

os caravanistas

Desculpem, este é longo.


# fotografia de José Silva

Tem-se falado muito do cada vez maior número de caravanistas a ocupar Peniche. Conforme se pode ver pelas opiniões deixadas no Facebook, a discussão não sai muito a favor dos nossos visitantes.

Zé Pedrosa:
A semana passada, no outro Porto d'Areia mais a norte assisti a um destes selvagens (porque nem todos são caravanistas a preceito) a descarregar para o chão o depósito das águas sujas e mal cheirosas.

Nuno Gloria: 
só mesmo em peniche..em outros lados tem de acampar em sitios próprios para caravanas,aqui em peniche é na papôa é nos bombeiros é na alfandega,no porto dáreia..já para não falar da água que eles vão abastecer na lavandaria do filtro amarelo..eu pago a minha água,e eles que são ricos,porque é que não a pagam.??????

Lidia Maria:
é verdade sim senhor.assim como despejarem o lixo e as sanitas no fosso da muralha,junto á ponte velha uma vez que estão a fazer a limpeza do mesmo,assim como á pessoas que teem boas vivendas e alugam para estar a viver nas caravanas,que a higiene não será a mesma ,acho eu,isto é mesmo uma vergonha,será que não há ninguem competente que veja isto?

Carlos Mota Grão:
vêem para cá ,porque todos nós toleramos este turismo de deslize, é muita tolerância das autoridades que por sua vez trata-nos com intolerância o reste do ano todo.

Joao Paulo Ferreira:
vergonhoso, mil vezes vergonhoso, e ainda mais vergonhoso, são os responsáveis por esta cidade nada fazerem, capital da onda; onde? para mim Peniche é isso sim a capital do caravanismo, sem lei e sem o mínimo respeito pelos habitantes da cidade de Peniche que pagam os seus impostos para depois estas pessoas sem o mínimo de civismo, virem para cá e destruir as nossas paisagens naturais, pois para virem para cá nestes moldes para mim e para muitos habitantes de Peniche são personas non gratas.

Mas quem são na realidade estes animais selvagens que se intrometem em terreno alheio? Será que têm sentimentos como nós? Será que também choram pelo seu Benfica? Que vêm a ser estes bichos mal-amados?

Vitor Pampilhosa preenche calmamente o seu Sudoku. Aparentando estar já na casa dos 60, usa óculos fundo de garrafa e barba por aparar. A sua caravana está entre uma meia-dúzia delas, encostada a uma arriba atrás do molhe do Porto da Areia, se bem que os outros anos costumava ficar na zona do fosso. Vitor desde Dezembro só esteve 9 dias em casa. Em Peniche, estará até ao fim de Agosto. Depois, vai continuar a sua viagem.

Jesus Rodrigues lancha com a sua família entre um carro e duas carrinhas, de uma sai um toldo que lhes faz sombra. Uma senhora levanta-se e oferece-me o banco de plástico, para eu me sentar um bocadinho. Trabalham em Mérida, e Jesus tem antepassados penichenses. Ficam aqui uma semana, normalmente na zona da Papoa. Falam-me da brisa marítima que passa, e eu falo-lhes de dejetos. Mais concretamente aonde os depositam.
Jesus fala-me de uma sarjeta, Vitor conta-me que deposita num dos dois parques de campismo da cidade, cujo serviço de recolha é pago. Devia haver uma rede disso espalhada pela cidade? Sim, continua Vitor, pois a instalação é barata e já existe noutras terras.

E água potável? Tanto Jesus que está lá ao seu lado, como Vitor que está na outra ponta da cidade, usam o tanque de Peniche de Cima. Há uns anos, conta-me Vitor, alguém meteu um adaptador para ser mais fácil ligar a torneira ao tanque das carrinhas, este ano já não estava lá.

E quanto à população nativa, tem havido incidentes? Vitor diz-me que aqui há dias uns rapazes começaram a atirar pedras para cima de uma caravana. Os caravanistas chamaram a polícia e esta prendeu-os.

Chimeno está escrito a corretor na lapela da camisa de um agente da GNR. Pertence à Unidade de Controlo Costeira e está a descansar dentro do seu Nissan Patrol. Não tem havido ordens no que toca ao caravanismo, apesar de o agente saber que não é legal e onde muitas vezes os dejetos vão parar. Mas ainda não lhes chegou nenhuma queixa, logo não há razões para atuar.

E se fosse construído em Peniche um parque de propósito para sustentar o caravanismo? Não há dinheiro, responde-me um senhor da mesa de Jesus Rodrigues. Não há dinheiro para quê, construir ou frequentar? Para as duas coisas, sou elucidado.

Primeiro do que deixar a minha opinião no assunto, gostaria de vos sugerir um link para a opinião dos caravanistas.

Em Peniche, algo atualmente está muito errado: o despejo dos dejetos em pontos específicos de recolha, uma obrigação dos caravanistas, é taxado, e o abastecimento de água, uma necessidade, é gratuito.
Para evitar situações de despejo de dejetos em sítios impróprios, deveria ser criada uma rede de recolha destes dejetos sem qualquer custo para os caravanistas. O interesse é nosso, penichenses. Não queremos que continuem a sujar a nossa cidade. Acho até que a polícia devia andar à caça dos caravanistas que não deixem os seus resíduos em local apropriado, e atestar-lhes pesadas multas.
E passava-se a taxar a água, que ficaria disponível num conjunto específico de pontos. Quem fosse apanhado a abastecer num local não autorizado (entenda-se torneiras públicas) também seria multado. Até porque não estou a ver outra forma de o município receber diretamente dinheiro do caravanismo clandestino.

A questão é: o que perdemos nós penichenses se perdermos os caravanistas?
Eu concordo com a opinião pública: não muito. Mas também acho que não perdemos assim tanto se os deixarmos estar.

Chateia-o, caro leitor, ver caravanas espalhadas por aí?
A mim também, algumas delas. Quando se aproximam muito do Forte da Luz o sangue sobe-me um bocado à cabeça. Aquilo é património histórico e natural da nossa terra. Não devemos deixar que o estraguem assim (nem que seja só visualmente). Umas placas a proibir o estacionamento de caravanas (com vigilância a condizer) não ficariam mal. Aí e noutros locais. Baluarte da Gamboa, estacionamento do Cabo Carvoeiro...
Agora no Porto da Areia? Ou ao pé do fosso? Se tivessemos a certeza de que não iam poluir o ambiente, acho que só temos de ser hospitaleiros. Quem nunca se meteu numa caravana e partiu por aí à aventura que atire a primeira pedra.
Pronto, é verdade, eu nunca me meti numa caravana e parti por aí à aventura.
Mas ainda vou a tempo.

pessoas que riscam carros


Anteontem de madrugada riscaram todos os carros que estavam estacionados entre a praça e o Peniche Três.

Pode ter sido por estarem a incomodar as descargas de algum comerciante, ou então foi de propósito. Não sei.

Só sei que espero que grande parte dos meus rendimentos seja direcionado para pessoas que riscam carros. Porque se com uma inofensiva chave conseguem causar prejuízos de centenas de euros a tanta gente, com uma arma o que não serão capaz de fazer. Basta ser a ocasião certa.

Eu sei que é quase impossível apanhá-los, mas se um dia um fosse apanhado, bastaria dizer-lhe "meu amigo, já vimos que isto de viver em sociedade não é um conceito que lhe diga grande coisa" e dar-lhe-íamos com os nossos impostos o direito a viver afastado de selvagens como nós que temos dinheiro para comprar carros e até os estacionamos em sítios que por direito, tal como qualquer local público, lhes pertence só a eles.

Não seria uma punição. Eu acho que neste tipo de gente a punição só funciona até se vingarem de forma ainda mais violenta. Só lhes peço cama e roupa lavada num sítio bem longe de mim e dos meus. Eu pago a conta, não me importo.

corrida e caminhada da praia norte


Este domingo vai decorrer este evento, à semelhança do que tem sucedido outros anos.
Eu acho muito bem e tudo. Mas a inscrição são 3 euros. As razões para tal gasto estão descritas aqui.

3 euros para correr na praia não me parece um grande negócio. Por mim cortava-se com tudo, seguros, águas, t-shirts. E passava a não se pagar nada para se correr na praia. Acho que faz sentido.

emparedamento #11


Mr. Tozé, tear down this building!

Carlos Tiago colocou no seu Facebook algumas fotos legendadas de vários ex-libris de Peniche, entre eles a Avenida do Mar. Nós, penichenses, já estamos habituados, mas ao vulgar turista este prédio Coutinho de meia tigela mesmo no meio da avenida não ficará indiferente.


Esta construção é mãe das aberrações. É um edifício com quatro andares numa zona em que os outros têm dois, e com uma arquitetura completamente ultrapassada e descontextualizada. Destoa de tudo o resto, com as suas linhas verticais e vigas que acabam no meio do nada.


Retirada daqui, esta foto de António de Jesus Lourenço mostra uma Avenida do Mar antes do atentado:


Eu não sou Ronald Reagan, mas peço-lhe, Mr. Tozé, tear down this building!

Pronto, se calhar há outras prioridades neste momento, mas este bastardo da arquitetura será sempre uma pedra no sapato para Peniche.
Daquelas que só saem com bulldozer.

e o resto são bilros




2 rendilheiras no espaço do município, 1 rendilheira e 1 rendilheiro no espaço da loja O Brincalhão.
É este o saldo da feira de artesanato. 
Merece o esforço das senhoras ao ficarem acordadas a trabalhar até tão tarde.

emparedamento #10


edward hopper

Edward Hopper nasceu em 1882 em Nova Iorque.
As suas pinturas retratam personagens atormentadas sob uma luz forte e opressora.
Nada nas suas pinturas deixa antever de onde vem a razão da sua dor.
Aliás, os cenários que pinta bem podiam estar repletos de gente a cantar e a dançar sem que estes estivessem descontextualizados.
Mas estão povoados de gente oprimida.
Edward Hopper pinta aquilo que vê.
A vida é difícil.





variar é humano


Pelo que suponho ter sido um erro, a página do Facebook do site Ainanas resolveu publicar a mesma ligação com a mesma descrição com cinco horas de diferença.

A minha surpresa é com a reação dos internautas. No segundo post, houve 4,44 vezes mais gostos, apenas 13,9 % dos comentários e 48 vezes as partilhas.

A mesma coisa, reações completamente diferentes.
Einstein disse que insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Eu acho que isso funciona com tudo menos seres humanos. Nós somos completamente imprevisíveis.
(e ainda bem)

emparedamento #9


as festas


Ontem foi a vez de Fernando Rocha subir ao palco da festa de Ferrel.
Acho que foi uma aposta corajosa por parte da comissão de festas e que se revelou ganha.
Disse o próprio Fernando Rocha:
"É uma honra estar numa festa desta dimensão. Não é para todos."

A verdade é que a festa de Ferrel consegue fazer eclipsar todas as outras festas do concelho como se nada mais sequer existisse. Especialmente a de Peniche, que acontece ao mesmo tempo. Não digo que Peniche deva imitar a festa de Ferrel, até porque têm objetivos diferentes, a de Ferrel tem um cartaz com bandas itinerantes que dão um grande espetáculo e Peniche aposta mais em nomes consagrados e adequados a um público mais velho. Por exemplo, Fernando Rocha nunca poderia vir a Peniche, pelo bom funcionamento do coração das nossas paroquianas.

Mas tendo Peniche um espaço maior, consegue estar pior gerido. Por mim o palco poderia ir para a zona onde começa o passadiço de madeira ao lado da Fortaleza. O espaço é mais apertado que o atual, mas para que é que se quer tanto espaço quando não há gente que o ocupe.

álbum de fotografias #2 nevoeiro na papôa

Quem está em Peniche sabe o nevoeiro que hoje, quinta-feira, caiu a meio da tarde (e agora, de noite, ainda se mantém).
Aproveitei para ir à Papôa pela hora de jantar e é-me difícil descrever o sítio onde estava.

A ilha da Papôa em si era quase como uma ilha perdida, um enorme silêncio só interrompido pelo leve bater das ondas, e uma paisagem invadida pela névoa que só deixava entrever de vez em quando um ou outro rochedo mais próximo.

Disso nada consegui fotografar, não se ia distinguir coisa alguma, mas deixo algumas fotos da zona envolvente:









capa #6 the man who sold the world

David Bowie 1970

Nirvana 1993

habilidades


Acabo de ver Gonçalo Carvalho sentado em cima do seu cavalo enquanto este dança freneticamente ao som de I Gotta Feelling dos Black Eyed Peas. Em direto dos Jogos Olímpicos.
Tenho uma arara que bate as asas ao som de Emanuel.
Ainda hoje compro os bilhetes para Londres.

manhã difícil


Hoje houve quem tivesse tido uma manhã difícil entre os comerciantes da feira da Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem. E não foi por ontem à noite terem bebido uns copos a mais.

resumindo e concluindo


barraca

Estava eu a passar junto às barracas das farturas quando mesmo à minha frente pára uma carrinha branca. De lá saem meia-dúzia de senhores e uma senhora, a maioria de meia-idade, com sacos pretos na mão a correr para as barracas dos ciganos. Tinham escrito ASAE nas costas.
Rapidamente abrem os sacos e atiram lá para dentro o que encontram pela frente. Agentes da polícia seguem-nos e bloqueiam a passagem às pessoas. Uma carrinha da polícia de intervenção pára e saem agentes armados e com capacetes.

Eu fico atónito a olhar a cena, sendo isto que o que consegui captar:


Com alguma concentração, é possível encontrar no meio da foto um agente da ASAE (de colete preto com riscas brancas) e à direita o cordão policial.
Não me atrevi a tirar melhores fotos com medo de que os agentes pensassem que eu estava metido com os ciganos e me tratassem como costumam tratar os ciganos delinquentes cá em Peniche.
Pronto, se fosse assim não me faziam nada, mas na altura fiquei tão estupefacto que não deu para melhor.

Fui-me embora e passado meia-hora quando lá voltei estava tudo às escuras e a polícia estava a terminar as rusgas. A saída dos agentes foi acompanhada por uma salva de palmas dos ciganos. Os agentes meteram-se nas carrinhas e foram à vida deles.
Quando já não havia nenhum polícia, alguns ciganos dispuseram-se a partir para a agressão e os ânimos levantaram-se. Sem consequências nenhumas, visto que já lá não estava ninguém.
Nem as sapatilhas a dez euros.
Caramba, se soubesse que isto ia acontecer tinha comprado meia dúzia de pares daquilo.
Carrinhas brancas a parar ao pé das farturas?
Nunca mais me apanham com essa.

live on tv

Emissão da RTP em direto da ribeira de Peniche aqui.

Cuidado: Contém Serenella Andrade.

uma questão de etiqueta

Comprei uma camisa da marca Ribeiro Babo.
Acontece que enquanto as restantes empresas têxteis descrevem os seus produtos como confortáveis ou elegantes, a Ribeiro Babo não se fica por aqui, conforme pude comprovar na etiqueta:


Sou pois o feliz proprietário de uma camisa vibrante e irresístivel. Mas o que mais me intriga é a minha peça de vestuário ser o ponto de partida desta história.
Não sei é qual é a história. Tanto pode ser apaixonar-me pela mulher da minha vida como ser atropelado por um camião de conservas.
Por isso peço encarecidamente à Ribeiro Babo que me esclareça a história em que estou metido, para não haver aqui mais confusões e outras surpresas desagradáveis.
Obrigado.

emparedamento #7


estacionamento



Não me lembro se o ano passado já havia disto, mas agora não se pode dizer que há falta de lugares para estacionar no Baleal. Acho que só falta sinalização para indicar este quase interminável parque, pois da sua entrada não dá para ver a sua extensão e os carros podem ignorá-lo e prosseguir a demanda por estacionamento.

civilização


Como o sempre atento leitor já terá porventura notado, a feira da Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem entrou no século XXI.
Grande parte dos postos dos comerciantes estão agora dentro das estruturas desmontáveis que outras feiras de cariz mais específico costumam apresentar, como a do extinto Sabores do Mar, até com o nome de cada comerciante exposto. Mesmo havendo ligeiramente menos comerciantes do que antigamente, chegam perfeitamente.
Gostei que a feira se tivesse civilizado.

capa #4 come together

The Beatles 1969

Arctic Monkeys 2012

antónio sala

Depois de uma simpática carreira radiofónica e televisiva, António Sala decidiu sair do devido descanso para ser júri num programa onde não se via tanto palhaço desde o Batatoon.

E como uma desgraça nunca vem só, achou por bem aproveitar-se do desespero dos portugueses para dar a cara a uma casa de ouro. O anúncio vale nem que seja pelos testemunhos dos clientes (muito mais que) satisfeitos.

o drama o horror a tragédia


Quem hoje circulou de manhã em Peniche ter-se-á porventura apercebido deste belo serviço.
Dá a entender que o Fiat Punto embateu no Mercedes. Que não deve ter respeitado o STOP.
No fim das peritagens da polícia, o Mercedes arrancou e saiu e o Fiat teve de ser empurrado por agentes e populares.

Moral da história: não comprem Fiats Puntos, comprem Mercedes.

como remover travões

Eu não percebo muito de mecânica mas o Google também não me está a ajudar.


preto no branco


 Anúncio verídico

capa #2 hurt

Nine Inch Nails 1994

Johnny Cash 2002

um amor só meu

Como o mais astuto leitor já terá tido ocasião de reparar, entramos hoje no nosso querido mês de Agosto. Para celebrar este dia especial, que só ocorre uma vez por ano, deixo-vos com um texto de Fernando Alvim:


De maneiras que o que aconteceu foi isto e foi muito simples: eu vi-a. Era uma noite normal, foi por volta das 2 da manhã, talvez 2.30 não sei bem. O que eu sei, é que ela usava uma camisola às riscas azul e branca, tinha o cabelo comprido e falava animadamente com uma rapariga e um outro rapaz, que mais tarde percebi ser só um amigo: era só um amigo. A camisola às riscas azul e branca, não sei porquê, fazia-me lembrar aquelas tendas de praia que quando era miúdo, a minha família alugava em Vila Praia de Âncora ou em Moledo, e quando estava frio ou vento, metíamo-nos todos ali dentro e sinceramente não me lembro de ser tão feliz. Muito mais do que um dia de sol, porque nos dias de sol, a minha família não se unia tanto como naquela tenda tão pequena. Onde é que eu ia? Exactamente, ela lembrou-me esse verão, se quiserem ela até pode ser esse verão, essa praia, esse tempo onde estamos todos dentro da tenda, o que seja. O que é certo é que eu estava no bar. Ela a dois metros com uma amiga muito bonita que com ela estava a falar de rapazes. Era sobre rapazes que eu bem sei, porque se observarmos bem, conseguimos sempre entender do que é que as mulheres estão a falar. E não é difícil: ou de rapazes ou dos saldos da berska ou dos filhos. Não interessa. Eu a perguntar-me como é que vou fazer isto. Eu a pedir uma bebida qualquer para ganhar coragem aqui dentro e tentar dizer-lhe de uma forma nunca antes vista, absolutamente singular, que ela era tudo o que eu sempre havia procurado, que por mim nada mais ambicionava, que chegaríamos à igreja e eu responderia que sim a tudo, que casaríamos pois, que teríamos filhos com mérito, férias com os miúdos em sítios muito divertidos e nunca antes explorados, que veríamos pouca ou nenhuma televisão, mas que iríamos ao cinema ao ar livre ver filmes da década de 40. E então fiz isto: num acto de grande coragem – palmas por favor para este grande heroi que agora vos escreve - disse-lhe tudo isto. E isto é absolutamente verdade. E a partir daí? A partir daí bebemos os dois, falamos como se um e outro fossemos um livro de muitas páginas, dos bons, dançamos muito perto um do outro, saímos dali para outro bar onde todos pareciam reparar no nosso amor, já no pequeno almoço – com todos a reparem - pedimos uma meia de leite como se o celebrássemos e já no táxi – com o motorista a reparar pois - quando lhe disse a morada de casa dela, foi como de repente ele atirasse arroz pelo ar e se ouvisse “ viva os noivos”. E ao chegar a casa, quando ela subiu as escadas em direcção ao que é seu, percebi por fim o que todos repararam: que este amor era só meu.