scouting #2 ruínas romanas

Há três anos fui fotografar o terreno defronte à Igreja da Ajuda. Foi depois a ver as fotografias e a tentar perceber de onde vinham as estruturas que tinha fotografado, confrontando-as com fotos mais antigas do local, que tive a ideia que fazer a secção "Entretanto" na Voz do Mar, sendo que o primeiro artigo publicado foi sobre este local.

No decorrer da construção de um bloco de apartamentos, foram descobertas ruínas romanas.
Eventualmente foi dada autorização para as obras prosseguirem mas a empresa ficou sem dinheiro e desde então nada mais se fez, a não ser os bombeiros extraírem a água do terreno quando fica transformado num enorme lago devido à água da chuva que não consegue escoar.

O que de mais recente lá se encontra são alguns carrinhos do LIDL:


Entre os romanos e a atualidade os únicos edifícios dos quais tenho conhecimento a serem levantados neste terreno foram fotografados por António Jesus Lourenço em 1983:


Estes prédios foram demolidos ainda na década de 80 ou no início da seguinte, e o que restou deles foi arrasado nas escavações mais recentes.

Mesmo assim, ainda há vestígios que estiveram quase para desaparecer, mas por acaso escaparam, como é o caso deste canto:

O vestígio que mais sobressai parece ser a base de uma chaminé.


Na foto de cima vê-se o que parece ser um buraco feito por uma máquina que foi impedida de prosseguir.  O que impediu então que tudo o resto fosse arrasado e esta estrutura salva? Talvez o entendimento de que também poderia ser romana. Eu também pensava que seria romana, no entanto perto dela estão vestígios mais antigos, que pela sua reduzida altura mostram que a estrutura em tijolo é mais recente.


Existe um canal, outrora subterrâneo, cuja função desconheço, mas aparenta ser uma conduta de água. Não havendo poços na proximidade, poderia conduzir a água da chuva ou de alguma atividade para o fosso (está alinhado nessa direção):


Antes disso, havia somente terrenos de cultivo, como prova esta foto da primeira edição do "Entretanto":

No entanto esta zona seria bastante ativa entre os séculos I e IV, altura em que estariam nesta zona instalada uma profícua indústria conserveira que se dedicava a exportar o vinho produzido em Peniche (e não as conservas como normalmente se supõe). Quando a este período, há uns muros de pedra:


Restos de ânforas estão espalhados por todo o local:


Houve nesta zona uma intensa atividade durante o período romano. Conhecemos poucos vestígios, tal como os fornos, e uma estrutura na Avenida 25 de Abril que já ouvi dizerem ser romana.
Mas obras como o novo Lar de Santa Maria foram construídas sem nenhum acompanhamento arqueológico. (ver comentários) Não podemos estar à espera que sejam os empreiteiros a virem dizer o que é que encontraram, pois isso não é do seu interesse, visto que atrasa ou no caso dos fornos, impede a construção.
Tem de ser a autarquia a disponibilizar o acompanhamento das obras durante as escavações, o que custa dinheiro e no caso de se encontrar alguma coisa o progresso da cidade é atrasado.
Por isso muitas vezes a câmara prefere fechar os olhos e deixar avançar as máquinas, como aconteceu no caso do Modelo e depois veio-se a descobrir que foi destruído património que remonta até à pré-história.

Os fornos, tal como os restantes vestígios que a zona do Morraçal da Ajuda esconde são do interesse público a longo prazo. E as ideias para essas zonas, passem elas por um núcleo museológico ou outra coisa qualquer, dizem respeito a todos nós, e tenho pena que não haja muito interesse nelas.

Sem o envolvimento ativo da população, nada feito.


# percurso feito em 8-7-2009

correio da manhã #3


exame de Miguel Relvas


opinação #1 somfest

Agradeço a todos os que responderam ao primeiro questionário.

Houve 9 respostas, que estão discriminadas no seguinte gráfico:
O "não" saiu claramente vencedor.

E a primeira noite foi reflexo disso mesmo.

Deram-me um cartão de consumo mínimo de 5 euros para entrar no festival gratuito. Quando saí acabei por pagar apenas o que consumi, de qualquer forma, há muita desorganização no que toca a transmitir informação sobre este evento. Acredito que seja complicado organizar um evento deste tipo, mas com este tipo de erros acabaram por afastar público.

Entrei no espaço da discoteca, que estava vazio, e nesse momento fui assassinado pelo olhar das pessoas que convencera a ir comigo. Fomos depois encaminhados para o que parecia um salão de casamento, com cortinas brancas a tapar as janelas.


Os primeiros a atuar foram os Wild Booze, que estavam agendados começar às 22.00 mas começaram já perto das 23.30.



Confesso, já fui a festivais de verão com mais público.

Eventualmente a sala acabou por ficar mais composta, mas de qualquer forma isto está longe do que eu e provavelmente os produtores do evento imaginávamos ao início.

Mas apesar de tudo eu gostei. Não é todos os dias que temos cá uma série de bandas num só espaço. Por isso, aconselho. E espero voltar.

Apesar de entrar na Voilá às onze da noite ser das coisas mais surreais que já fiz.

como enterrar os maias

Os leitores deste blog que frequentaram o ensino secundário porventura foram obrigados a ler Os Maias, tal como eu.
Aliás, eu além de os ler também tive de participar numa encenação da obra, para a qual escrevi o guião. Como o grupo tinha mais gente do que as personagens do livro, tive de pegar num trecho da obra e entre as falas originais meter as de personagens inventadas por mim de forma a comportar todo o grupo. 


Apreciadores de Eça de Queirós são fortemente desencorajados a prosseguir a leitura deste post.



Ega – Mas onde é que eu pus a charuteira?
(Ega procurando nos bolsos do casaco)
Mordomo – A charuteira, senhor?
Ega – Sim, sim, a charuteira!
Mordomo – Para que é que Vossa Excelência deseja a charuteira?
Ega – Ora essa, homem! Para fumar um charuto!
Mordomo – Não estará nos bolsos do casaco de Vossa Excelência?
Ega – Mas é aí onde eu estou a procurar! Olhe, saia-me da frente! Saia, saia!
(Ega vai ter com Maria Eduarda)
Ega – Então, quando partimos?
Carlos – Para onde?
Ega – Ora essa, para o Sarau da Trindade!
Carlos – É uma seca!
Ega – Também é uma seca subir as pirâmides do Egipto!
Carlos – É por isso mesmo que eu nunca lá fui!
Ega – Mas não é todos os dias que se sobe a um monumento com 4 mil anos! E a senhora D. Maria, podia ver neste sarau uma coisa também rara! A alma sentimental de um povo exibindo-se num palco, ao mesmo tempo nua e de casaca. Vá, coragem! Um chapéu, um par de luvas e a caminho!
Maria – Sim, tudo bem mas hoje estou mesmo estafadinha.
Ega – Bem, eu é que não quero perder o Rufino… Vamos lá, Carlos, mexe-te!
Carlos – Mais um bocadinho, homem! Deixa a Maria tocar umas notas do Hamlet. Temos tempo. Esse Rufino, e o Alencar e os bons, só falam mais tarde.
Maria (a cantar) – Pâle et blonde fort sois l’eau profonde…
Rosa – Mãe, mãe… Assim não consigo dormir…
Maria – Rosa, meu amor… Prometo que não canto mais… Vai lá dormir sossegada.
Rosa – Boa noite! Boa noite!
(Rosa vai-se embora)
Carlos – Quem é por fim esse Rufino?
Ega – Dizem que é um deputado, um bacharel, um inspirado… Pelos vistos é sublime nessa arte de arranjar, numa voz de teatro e de papo, combinações sonoras de palavras.
Carlos – Detesto isso!
Rosa – Acordaram-me outra vez! Estou a ver que assim não consigo dormir!
Carlos – Desculpa, desculpa! Juro que não volta a acontecer!
Empregada - Vá, vamos para a cama, vamos ter uma boa noite de sono!
Rosa- Também estás com sono?
Empregada - Eu depois logo me deito… Deita-te tu agora, que precisas de dormir.
Ega - Bem, eu cá vou já ter à Trindade, antes que perca o Rufino.
Mordomo – Aqui tem o seu casaco, senhor!
Ega – Mas esse não é o meu casaco!
Mordomo – Então boa noite para Vossa Excelência!
Ega (apressado) – Pois, sim…boa noite…
Carlos – Espera. Descobri melhor, fazemos o sarau aqui. Maria toca Beethoven, nós declaramos Musset e Hugo, os parnasianos, temos padre Lacordaire, se te apetece a eloquência, e passa-se a noite numa medonha orgia de ideal!
Maria – E há melhores cadeiras!
Carlos – Melhores poetas.
Mordomo – E Vossas Excelências têm bons charutos e bons conhaques.
Empregada – Mas se os senhores fizerem essa festarola toda a menina não vai conseguir pregar olho!
Maria – é bem verdade, é bem verdade…
Ega – Então e o Cruges!?
Mordomo (confuso) – O Senhor Cruges está a dormir com a menina Rosa!?
Ega – Não, não é nada disso! O Cruges toca hoje umas das suas “Meditações de Outono”.
Carlos – Não digas mais! Esquecia-me o Cruges! É um dever de honra! Abalemos.
(Carlos e Ega saem de casa, e já na rua encontram um mendigo.)
Mendigo – Alguma coisinha por favor!
Ega (agarrando o casaco de Carlos) – Voltemos para casa.
Mendigo – Por favor! Por favor! Não tenho nada para comer!
Carlos – Está bem, está bem! Olhe, vá tocar à campainha daquela casa e peça um bocado de pão.
Mendigo – Mas eu não gosto de pão!
Carlos – Então peça outra coisa qualquer! Sei lá!
(O mendigo toca à campainha da casa de Maria Eduarda)
Empregada – Quem é? Quem é?
Mendigo – Apenas um pobre mendigo, minha senhora!
Maria – Tome lá um bocado de pão.
Mendigo – Mas eu não gosto de pão, minha senhora!
Rosa – O que é que foi agora!? Mas quem é este senhor?
Maria – Ó meu amor, acordaste outra vez! Este senhor não interessa!
Mendigo – Está a dizer que eu não interesso!?
Maria – Não, não era isso que eu queria dizer… Anda, Rosa, vamos para a caminha.
Mendigo – E não me pode dar nada para comer?
Maria – Melanie, vem tu dar qualquer coisa a este senhor, que eu vou adormecer a Rosa.
Empregada – Olhe, tem aqui estas fatias de pão…
Mendigo – Mas eu cá não gosto de pão!
Empregada – Então veja lá do que gosta
( A empregada sai, deixando o mendigo sozinho na sala. O mendigo pega em muitos objectos e foge.)
Mordomo – Melanie, Melanie!
Empregada – Sim, que foi!?
Mordomo – Olha aqui, levaram tudo, não temos nada!
Empregada – Sim, tens razão… Mas olha…
Mordomo – O quê!?
Empregada – Ao menos ainda nos resta o pão!









entretanto #5 largo 5 de outubro



À esquerda nas fotos, a Igreja da Misericórdia foi construída entre 1627 e 1634, e a torre adjacente finalizada em 1736.
Tal como sucede um pouco por toda a cidade, depois da sua demolição, o local onde se erguia o edifício da esquerda em primeiro plano ainda se encontra inestético e mal aproveitado, sendo agora atualmente utilizado como estacionamento, numa zona onde supostamente o acesso por automóveis seria proibido.
Para terminar, na primeira fotografia vê-se à direita uma pequena capela, que juntamente com outras seis também já inexistentes, foi construída na segunda metade do século XVIII para servir a Procissão do Senhor dos Passos.

correio da manhã #2


adivinhe o monumento #5


#clicar na imagem para saber a resposta

a rádio


Não sei quantas músicas espanholas ouviram passar na rádio nos últimos tempos.
Eu só ouvi uma.
Repetidamente.

Perdóname é uma boa música, não é isso que está em causa.
Mas de toda a música que nuestros hermanos compuseram, só nos chegou esta, pois mesmo sendo em espanhol conta com a participação de uma cantora portuguesa. E por causa disso, contrariamente ao trabalho dos restantes artistas espanhóis, do qual não nos chega nada, esta música chegou até nós em tal dose que eu já desato a vomitar se a começo a ouvir.
Isto só nos mostra que as pessoas que estão por detrás da rádio agarram-se somente àquilo que tem sucesso garantido, porque veem a rádio pura e simplesmente como um negócio.

E tenho muita pena por isso.
Porque eu gosto de rádio. E não é quando estou no trânsito e não há mais nada para ouvir, eu gosto de rádio porque sim.
Cada vez que pego no carro ligo numa estação qualquer. E oiço coisas que já ouvi antes, e que cumprem uma fórmula de sucesso que os produtores sabem que vai resultar com o grande público. Por isso após percorrer as estações memorizadas no rádio contrariado lá tenho de mudar para o leitor de CDs.

Claro que a culpa não é só das estações. As pessoas têm mais que fazer do que ter gosto musical e acham por bem gostar daquilo que os outros também dizem que gostam. E temos um mundo invadido pela Lady Gaga, Katy Perry e futilidades do género.
De qualquer forma, enquanto for eu a decidir o que oiço, isso não me incomoda nada.

Só tenho pena é da rádio.

correio da manhã #1


correio da manhã #0

Vou passar a partilhar notícias do Correio da Manhã que fui religiosamente cortando e guardando de há uns anos para cá. 

Pode-se dizer muita coisa do Correio da Manhã, mas se há coisa que não podemos dizer é que ele não espelha a realidade. A nossa realidade é a realidade do Correio da Manhã. Roubos de mercearias, violações de adolescentes e homicídios de vizinhos. Fingirmos que este não é o nosso país só resulta até passarmos a ser vítimas dele. 

Por isso, para vós, recortes do Correio da Manhã, que é como quem diz, recortes de Portugal.

scouting #1 atouguia medieval


Decidi para começar tentar encontrar o que resta da Atouguia da Baleia no tempo em que era um importante porto marítimo fortificado, nos séculos XII a XV.

Como a cartografia ainda não estava desenvolvida no auge da Atouguia como terra piscatória, há muita informação sobre o desenvolvimento de Peniche e quase nenhuma sobre a Atouguia. 
Para me guiar, segui uma planta de zona muralhada possível que Mariano Calado desenhou sobre uma planta da vila. Sobrepondo essa hipótese sobre uma vista aérea o resultado é este:


Sendo que a laranja são as ruas que a muralha poderia ter atravessado segundo Mariano Calado e a amarelo os vestígios existentes (pelo menos os que eu conheço).

Há uma grande diferença entre o castelo da Atouguia e outro castelo qualquer. Neste temos de descer uma enorme rampa para o ver, enquanto nas outras terras normalmente temos de subir para entrar no castelo.
Isto acontece porque nós chegamos à zona mais antiga da Atouguia por cima, sendo que se quisermos ter uma perspetiva de como era antigamente esta terra temos de aceder por outro lado.


Isto é o que resta do castelo visto da zona onde antigamente existia o porto.


Antes de subir está esta fonte, sobre a qual encontrei informação aqui, a qual passo a citar:

A velha fonte de S. Leonardo, que sempre acompanhou, e deu de beber aos mais primitivos povos, que por estas bandas se demandaram buscando seus proveitos; encontra-se hoje praticamente abandonada. Possui cerca de seis metros de profundidade, mas ao tempo em que se laborava no porto, esta se mantinha ao mesmo nível deste. Com o assoreamento do vale, a mesma foi subindo suas paredes até chegar aos dias de hoje, como se encontra actualmente. No fundo da fonte, e do lado da igreja nasce a água por um buraco semi-circular, pois deve ter sido esse o seu princípio em tempos muito remotos, que deu água a tantas gerações. Soterrado um pouco abaixo do nível do actual piso, existe um brazão da Vila de Atouguia, que só tem um touro com um castelo em cada corno, diferente daquele que lá se encontra a descoberto possuindo dois touros, bebendo em uma pia. 

Perto dos vestígios do castelo mais conhecidos, há alguns panos da muralha que ainda subsistem:


Entrando na povoação, a presença medieval mais conhecida é a Igreja de São Leonardo (século XII):

A partir desta igreja começa a Rua José Augusto Vaz, que tem um aspeto bastante pitoresco e nos prova a antiguidade do local:

Como eu não também não tenho nenhuma formação em história ou arquitetura, não consegui identificar nenhum pormenor que remetesse em específico para a Idade Média, sendo o mais antigo que consegui identificar um vão manuelino (início do século XVI):


Quanto à muralha, nada de óbvio. No entanto em cima do perímetro delimitado por Mariano Calado está este edifício, que por hipótese poderia ter aproveitado uma secção da muralha:


Sempre achei estranho sobrar tão pouco das defesas da Atouguia. Normalmente, muitas das paredes das construções defensivas sobrevivem pois as casas são construídas em cima delas, com paredes em comum, como em Coimbra, ou então porque ficam numa zona que pelas suas características pouco propícias à construção consegue fugir à expansão da terra, como em Leiria.


Da Atouguia medieval chegou-nos muito pouco. O mesmo se passa com Peniche.
Creio que por detrás disto estará o pouco espaço disponível para o desenvolvimento da região (obrigatoriamente perto do mar), que forçou a sobreposição de construções, e o pouco interesse artístico que os edifícios apresentavam. Isto levou ao desaparecimento da maior parte das construções medievais na Atouguia e na sua totalidade em Peniche.


# percurso feito em 3-7-2012

scouting # 0

Vou começar uma série de artigos cujo conceito é descaradamente copiado deste blog.

Scouting New York conta as aventuras e desventuras de um tipo que tem a profissão de descobrir cenários para filmes. Sendo ele assaz curioso, sempre que vê algo fora do comum vai investigar minunciosamente sobre esse local e apresenta-nos a história por detrás do dito cujo.

Eu acho que no que toca a insólitos Peniche não está nada atrás de Nova Iorque, e para o provar vou à procura daquilo que o nosso concelho tem a oferecer no que toca a mistérios e estranhezas de vária ordem. Fiquem comigo nesta aventura. Não, a sério, fiquem mesmo. Tenho medo.

adivinhe o monumento #4


#clicar na imagem para saber a resposta

entretanto #4 baluarte da misericórdia



A primeira fotografia mostra-nos nos anos 30 a grande afluência de pequenas traineiras que havia na Doca.

No início dos anos 50 foi demolida parte do baluarte da Misericórdia e construída a atual ponte para o trânsito de veículos. 

À esquerda na foto de baixo, o atual quartel dos Bombeiros Voluntários de Peniche foi inaugurado em 13 de Março de 1999.

okupas



À semelhança do que acontece em Espanha, em Portugal cada vez mais casas abandonadas são invadidas por "okupas", ou seja, por movimentos de cidadãos, quer dizer, mocidade da esquerda.

Fontes seguras dizem que a próxima casa abandonada a ser okupada é o Ministério da Economia.

acrobacia #2


Meio ano para o fim


Estamos exatamente a meio de 2012.
Como é sabido o mundo acaba no final deste ano, portanto temos só mais meio ano para aproveitar.
Não é treta nenhuma, há muita gente para aí a defender isto mesmo.

Só tenho pena de depois já não haver ninguém para lhes reconhecer a razão.

supertubos na TV

Supertubos em direto na RTP 1

À falta de tv: http://www.rtp.pt/play/direto/rtp1

# já acabou

adivinhe o monumento #3


#clicar na imagem para saber a resposta

entretanto #3 rua d. luís de ataíde




Têm 120 anos de diferença estas fotografias da Rua D. Luís de Ataíde, no entanto à primeira vista parece que pouco mudou. Mantêm-se os edifícios que albergam hoje em dia o Stella Maris, mas o edifício da esquerda em primeiro plano foi demolido para dar lugar a um de traçado semelhante.

opinação #0

Eu tenho trabalhado bastante para este blog.
Mas a verdade é que estou em época de exames e entre estar a estudar ou estar para aqui a dissertar sobre a vida a segunda hipótese é mais agradável. Pelo menos para mim.

Como tal criei um formulário que vou passar a atualizar com questões para as quais a vossa opinião é-me imensamente importante. Por isso, deixem repousar o meu atormentado espírito e respondam.

Ah, e se não responderem vão morrer nos próximos 150 anos.

acrobacia #1


acrobacia #0

Ninguém vai assistir a uma exibição aérea para ver aviões ou a um rally para ver carrinhos. Vamos a esses eventos na esperança de os participantes terem um acidente espetacular.

Ou então sou só eu.

De qualquer forma o Caldeirada Penicheira tem o prazer de vos passar apresentar uma secção em que a desgraça alheia tem lugar garantido.


Porque a melhor acrobacia é a falhada.

salazar


Hoje fui à apresentação de um livro.

Não é bem assim, eu estava numa Livraria Bertrand, ouvi pelo sistema de som que ia haver uma apresentação de um livro qualquer coisa sobre Salazar e pronto, fui.

Na página que a FNAC tem sobre o livro, é deixada a pergunta a que o livro responde:
Por que é que um regime político associado com os autoritarismos e fascismos dos anos 30 e 40, e, numa altura em que o Mundo se dilacera numa guerra sem empate, organiza eleições?

Eu poupo-vos o encargo de terem de comprar a obra e respondo: porque Portugal queria mostrar ao mundo que apesar da guerra, continuava a funcionar normalmente, sem necessidade nenhuma de se envolver no conflito e mantendo assim a sua neutralidade estratégica.

João Avelãs Nunes apresentou a obra e deu também a palavra ao seu autor, José Reis Santos
O auditório estava longe de estar cheio. Melhor, éramos seis, sendo que dois eram funcionários da Bertrand. O que até me deu jeito, pois tive a oportunidade de participar no debate que se seguiu à apresentação da obra, pelo menos até perceber que a minha cultura política comparada com a destes senhores é a de um gato.

E o que me ficou da tarde de hoje? Que Salazar era um ditador como deve de ser, um homem que teve sob si todo o país sem exceções. Hoje foi várias vezes comparado a Hitler. Em frases que começavam com "Nem Hitler alguma vez se lembrou de...". E pelo menos até ao início da segunda guerra mundial, o nosso estado fazia tudo por ser uma cópia perfeita do fascismo iniciado em Itália e seguido pela Alemanha.

A situação financeira do país pré-Salazar não diferia muito da atual. Salazar também chegou ao poder na altura em que um país falira e para um organismo externo nos emprestar dinheiro, reclamava o controlo do Ministério das Finanças. Salazar opôs-se e resolveu o problema de tesouraria cortando os gastos do estado e lançando o país na miséria.

Isto foi uma pequena parte de tudo o que aprendi hoje. E de que isso me serve?
Muito daquilo que o país é hoje ainda vem do Estado Novo. Uma economia protecionista e burocrática, privilegiando os amigos do governo em detrimento da competição empresarial, um estado enorme e intrometido em todos os assuntos da nossa vida, uma lógica de cunhas e amizades para escolher a liderança dos organismos públicos.
Na verdade, tudo isto surgiu por alguma razão.
Os investigadores referiram várias vezes hoje que Salazar foi muito competente a fazer aquilo que queria. Apesar de todo o mal salvou-nos de uma guerra, onde teríamos sido uma boneca para os germânicos fazerem de nós o que quisessem.

Mas hoje, em pleno século XXI, os problemas não são os mesmos.
E não podemos deixar cair o país na miséria para o salvar, pois lá se ia a vitória nas próximas eleições.
Mas pelo lado positivo também não precisamos de salvar Portugal dos nazis.
Atuemos pois em conformidade.

somfest #4 best youth


entretanto #2 avenida do mar



A primeira foto tem quase 80 anos e remonta à altura em que foram construídos os edifícios de apoio à atividade pesqueira que ainda lá estão (por exemplo os Três Ás), se bem que agora sejam bares e restaurantes. Desde que a foto de baixo foi tirada as duas casas da direita foram demolidas, mas houve o cuidado de voltar a colocar na fachada do prédio que lhes tomou o lugar este azulejo.

adivinhe o monumento #2


#clicar na imagem para saber a resposta

entretanto #1 praça jacob rodrigues pereira



A fotografia de cima data da viragem do século XIX para o XX e retrata a Praça Jacob Rodrigues Pereira, que tem o nome de um nativo de Peniche que se notabilizou pelo seu trabalho com surdos.
Quanto à praça em si, merece destaque o seu actual aproveitamento comercial, e comparando as fotos podemos ainda notar a diminuição da área do jardim.

entretanto #0

Entre 2009 e 2010 tive uma rubrica na Voz do Mar na qual eu pegava numa foto antiga e ia ao mesmo local e à mesma hora e com o mesmo estado do tempo e até altura da maré e outras mariquices, tirava uma nova foto, editava-as para ficarem o mais parecidas possível e mandava-as para o jornal.

A ideia é simples, mas como eu sou um picuinhas nunca estava satisfeito e só passado muitas tentativas é que ficava minimamente contente com o resultado.

Vou fazer render o peixe e republicar aqui no Caldeirada Penicheira as edições do "Entretanto", mais algumas que não chegaram a ser publicadas e outras novas (se eu achar que ficam alguma coisa de jeito).

somfest #3 dapunksportif


adivinhe o monumento #1


#clicar na imagem para saber a resposta

adivinhe o monumento #0

Isto de ligar coisa alguma aos nossos monumentos é coisa recente, e durante muitos séculos só eram mantidos aqueles que podiam oferecer alguma utilidade para a sociedade. Por outro lado, a dificuldade em demolir e a falta de dinheiro para construir infraestruturas mais modernas ditou a sobrevivência de muitos edifícios, que embora não raros nem importantes na sua época, são agora muito famosos pela sua antiguidade.

De há umas décadas para cá, especialmente durante o Estado Novo, decidiu-se levar à antiga glória alguns monumentos nacionais, para reforçar a ideia da pátria monumental e gloriosa que vinha nos livros. Foram então operadas mudanças que por tão radicais que foram, hoje dificilmente alguém as deixaria levar a cabo.

Não necessariamente recuperados durante o Estado Novo, mas todos com um restauro hardcore em cima, vou propor-vos que adivinhem o monumento. Basta clicar na foto para ter a resposta.

notícias de 2013


alterações ao estacionamento


Está em discussão pública, até 18 de julho, o regulamento municipal de parques de estacionamento condicionado e de zonas de estacionamento de duração limitada na cidade de Peniche e zonas adjacentes.

Consultando a planta fornecida pela câmara, são as alterações mais visíveis:
  • É vedado o terreno em frente aos bombeiros velhos.
  • Construído um parque subterrâneo em frente ao Pingo Doce.
  • Regulamentação do estacionamento no Campo da Torre.

somfest #2 norton


Prioridades


Relato Antena 1


Pronto agora já sei de onde é que vem o relato mais entusiástico de sempre que tem passado na televisão.

Jazigo num cemitério é para meninos


no comment #1 angela merkel


no comment #0

Ainda sou do tempo em que não havia SIC Notícias, e para saber as notícias de manhã a mãe minha ligava a televisão no Euronews. No meio de todas as notícias aborrecidíssimas que apareciam sobre a política europeia, havia uma secção da qual eu gostava especialmente.
Chamava-se No Comment e destinava-se a passar vídeos não editados de acontecimentos da atualidade e
remeter para o telespetador qualquer juízo de valor.

O Caldeirada Penicheira tem assim a honra de repescar essa saudosa secção televisiva e mostrar aos internautas o mundo tal como ele é. A excelência deste jornalismo é nos trazido pela internet, mas é vos apresentado nesta excelência de conteúdos que é a Caldeirada Penicheira.

E se o PS tivesse ganho as eleições?



somfest #1 a jigsaw


somfest #0


Entre os dias 5 e 8 de Julho de de 2012 vai decorrer o festival Somfest na praia do molhe leste.
Quem sabe diz que vai ser tipo Woodstock 69 mas melhor.
Primeiro que tudo, porque vai ter bandas a dar com um pau, como diria a mulher do Paco Bandeira.
E segundo, porque haverá grandes nomes neste festival, tirando Jimi Hendrix que disse não poder vir por ter agendado um concerto a pares com Bernardo Sassetti.

O Caldeirada Penicheira vai prestar serviço público (para quem não sabe parte da fatura da luz é para financiamento exclusivo deste blog) e passar a mostrar-vos as bandas que vêm ao nosso encontro.

Stay tuned.

Atualização: parece que afinal o festival pode se não realizar. Vou ficar à espera de mais informações.


Atualização #2: vai decorrer no Baleal.

alterações


Com a nova encarnação do blog vieram várias alterações, a começar pela tentativa de sardinha no topo da página. Às sardinhas que se sentirem ofendidas as devidas desculpas.

A zona dos outros blogs também foi atualizada, e mostra agora o essencial da blogosfera penicheira de acordo com o blog mais recentemente atualizado, de cima para baixo.

Vou introduzir secções, as quais tratarão de um tema muito específico. O primeiro post de cada secção será uma descrição da dita cuja secção, para evitar surpresas desagradáveis e outros males. Cada secção terá o seu tag na coluna da direita, e basta clicar nele para ter acesso a todos os artigos dessa secção.

Na primeira encarnação do blog os temas abordados eram exclusivamente sobre Peniche, e na segunda foram na sua maioria sobre política nacional. Perante a importância do primeiro tema e a facilidade do segundo vou tentar manter um equilíbrio. Haverá espaço para tudo, até para receitas de bacalhau tailandesas.

Estão apresentadas as alterações à receita, disfrutemos agora a refeição.

PS: Metáforas referentes a comida passarão a partir de agora a ser usadas com mais discrição.

esta terra não é para monumentos



Hoje, dia 26, que há uma uma sessão pública comemorativa dos 50 anos da obra "Peniche na História e na Lenda", pelas 21.30, no Auditório do Edifício Cultural da Câmara Municipal de Peniche, apresento-vos um discurso do Professor Mariano Calado sobre a destruição a que os monumentos históricos da cidade têm sido repetidamente sujeitos. Que sirva de prelúdio para a sessão de logo à noite.

outra vez arroz


Pois é, tal como os alcoólicos e os toxicodependentes, eu também tenho recaídas.
No meu caso, dá para a caldeirada.
O que se sucede é que chega o verão e fico sem nada para fazer, por isso venho para aqui soltar o Herman José que está dentro de mim (não literalmente) e dizer javardices avulso.

Mas antes de mais, um assunto sério. Prometo ser dos poucos. Esta é a terceira encarnação do blog, sendo que a primeira foi escrita debaixo do espesso manto do anonimato. Eu fui um dos autores, mas houve mais, e alguns dos posts foram mesmo escritos por mais do que um autor. Digo isto porque um dia quando for Presidente da República (cuidado, ou eu ou o Durão Barroso) não quero que me venham atirar que fui eu que escrevi certas e determinadas coisas. Provavelmente até terei sido, mas ao menos posso atirar com isso para cima de outro gajo qualquer.

Vou passar então a afincadamente, durante pelo menos uma semana, dedicar-me a este blog. Agradeço em especial à minha madrinha por o ter mantido como homepage apesar dos meus esforços em lhe sugerir sites mais interessantes. E agradeço também a todos os outros internautas que nunca deixaram de consultar o blog este tempo todo, quero dizer, à minha mãe.

Para vocês as duas, outra vez arroz. De caldeirada.