Mostrar mensagens com a etiqueta pequeno guia do património esquecido e ostracizado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pequeno guia do património esquecido e ostracizado. Mostrar todas as mensagens

pequeno guia do património esquecido e ostracizado #3.2 capelas

As gravuras da época representam mais ou menos dependências do convento segundo a importância que o autor lhes dá. Em algumas, aparecem os limites do convento (incluindo o adro) a duas dimensões, a igreja a três e ainda três capelas também a três dimensões mas mais pequenas. Hoje em dia, sobretudo devido à erosão, pouco resta delas.


A que ficava a Este desapareceu mesmo por completo visto que o terreno onde assentava já não se encontra entre nós.


O único registo fotográfico que conheço mostra o pouco que restava da capela na altura a aparecer numa foto tirada na Gruta dos Frades.


A segunda capela ficava mesmo em frente ao portão do convento e ainda hoje podemos ver as suas ruínas, mas é uma questão de poucos anos até seguirem pela encosta abaixo.


A terceira não pertencia ao convento e é a Capela de Nossa Senhora do Abalo, construída para marcar a chegada à costa de um retábulo flamengo do século XV, devido ao naufrágio de um navio nas Berlengas (cujos tripulantes foram resgatados pelos frades do Convento do Bom Jesus). Esta escultura encontra-se hoje em dia na Santa Casa da Misericórdia de Peniche.


A capela teve menos sorte (à erosão juntou-se a mão humana) e atualmente só restam as suas fundações.



pequeno guia do património esquecido e ostracizado #3.1 igreja do convento


Nesta foto podemos ver a igreja do convento conforme se encontrava há um século atrás, antes das modificações resultantes de adaptações a outros fins. Junto a si ficava o claustro, hoje desaparecido.


Em 2008, no âmbito de um trabalho de Área de Projeto na Escola Secundária, consegui por meios mais ou menos legítimos (por alguma razão as portas estão agora emparedadas) entrar no seu interior, sendo seguido pelos meus colegas de grupo.


Desde a extinção do convento, em 1834, a igreja já foi enfermaria, hospital de leprosos, fábrica de guano, garagem de uma autocaravana e armazém de conservas, intercalando com períodos de abandono, tal como o em que se encontra desde há alguns anos.


É fácil depreender que graças a isto o edifício foi bastante desfigurado, no entanto ainda hoje sobram bastantes indícios da sua primitiva função, como a cantaria, lápides e restos do teto abobadado.




Durante este trabalho eu e os meus colegas fizemos duas maquetes da igreja (uma no estado presente e outra contemplando um possível projeto de recuperação). Depois da apresentação pública a autarquia pediu-nos se lhe podíamos ceder as maquetes e desde então seguiram um percurso longe dos holofotes (espero que ainda existam...).














pequeno guia do património esquecido e ostracizado #3.0 convento do bom jesus



Esta e as três próximas entradas deste guia vão falar sobre o Convento do Bom Jesus. O seu vestígio mais visível é o barracão em frente ao Continente, que, bastante alterado, corresponde à antiga igreja do complexo. O resto do convento foi sendo demolido desde a sua extinção em 1834.


No entanto, nem sempre foi assim. Nesta gravura de 1663, podemos observar o elevado número de dependências do convento. De facto, era o monumento mais relevante da cidade, sendo por isso lhe dada bastante atenção em todas as representações da cidade, como por exemplo nesta, feita por Pedro Teixeira em 1634.


Há quatro anos levei esta figura para a rua para perguntar às pessoas se o conseguiam identificar, no âmbito de um trabalho de grupo na Secundária sobre o convento. A maioria das pessoas, mesmo vivendo em Peniche há décadas, não o conhecia, mas também encontrei gente cuja vida esteve de algum modo relacionada com este sítio.


Espero nos próximos posts dar o meu singelo contributo para divulgar este monumento, que viu recentemente grande parte das suas ruínas serem destruídas num processo muito mal explicado.

pequeno guia do património esquecido e ostracizado #2 bateria da vitória

A segunda entrada do nosso guia leva-nos até um dos sítios mais carismáticos da região, o Cabo Carvoeiro.


A Bateria de Nossa Senhora da Vitória foi construída no século XVII como parte do plano de defesa da península.


Deve o seu o nome à Capela de Nossa Senhora da Vitória, que teve como uma das causas da sua ruína os soldados de sentinela no forte tirarem madeira do edifício para se aquecerem.


No século XIX o forte deixou de ter uma função militar para passar a servir de estação semafórica.


Em 1964 no lugar do forte foi construído o Restaurante Nau dos Corvos. Logo na altura provocou polémica, o que levou à construção de um terraço que devolvesse a vista que o restaurante tinha levado.


Volto a transcrever no blog um texto do Professor Seara que mostra a dimensão do estrago:

Quando na década de sessenta A Voz do Mar por minha iniciativa decidiu realizar um ciclo de palestras, o Dr. Perpétua, fundador do ex Externato Atlântico, rotário de Porto de Mós, disse-me que para falar de turismo a pessoa indicada era um advogado de Leiria que também era rotário.
O restaurante Nau do Corvos já estava construído no mesmo espaço onde antes havia um miradouro e um posto semafórico que, por esse facto, já vinha sendo motivo de muita polémica.
No dia em que o advogado faria a sua palestra, fui buscá-lo a Leiria e, ao chegarmos a Peniche, pediu-me para continuarmos até ao Cabo Carvoeiro já que ele conhecedor de toda a costa que emoldura esta península onde nos encontramos (...) nunca se cansa de maravilhar-se com a sua beleza.
Fui deslizando vagarosamente parando aqui e além e, quando chegámos ao Cabo descemos do carro e perante o restaurante eis que, com uma ponta de indignação na voz, exclama:
-Estou roubado! Com este restaurante aqui foi subtraído ao domínio público uma vista panorâmica do oceano. E isso é crime!



#foto de Leonor Garcia

Hoje em dia ainda conseguimos ver vestígios da existência da Bateria da Vitória, visto que o restaurante aproveitou a sua base.

pequeno guia do património esquecido e ostracizado #1 convento do vale benfeito

A primeira entrada neste nosso guia não pertence ao concelho de Peniche, no entanto pela sua proximidade e afinidade histórica acho que merece inclusão.

O Convento de Nossa Senhora da Conceição de Frades no Vale Benfeito foi construído para os monges da ordem de São Jerónimo que estavam anteriormente instalados nas Berlengas e portanto à mercê dos constantes ataques de pirataria. Não faço ideia como seria a sua configuração original, visto que hoje resta pouco mais do que a parede de um dos muros que limitavam o convento.




 Isto porque a certa altura ele foi demolido para aproveitar a pedra e para dar lugar a um terreno de cultivo que ainda hoje é usado.


Um pouco mais abaixo ficam as ruínas de outras estruturas do convento.


Em 2005, durante as obras para a implantação de condutas de água, foram descobertos vários vestígios.


Como podemos ver este mapa centrado no convento, ainda hoje as estradas que ligam as diferentes povoações cruzam-se neste lugar.


História do convento aqui.

pequeno guia do património esquecido e ostracizado #0

A acompanhar a mudança de visual para cores um pouco mais femininas, vamos começar um guia que vai enveredar pelos nossos monumentos mais maltratados. Parte da informação e algumas fotos já apareceram noutros posts aqui do sítio, mas como é um assunto pelo qual me interesso bastante e sobre o qual há muito pouca informação, acho que vale a pena libertar aquilo que ao longo do tempo fui aprendendo.

Este guia vai falar muito pouco da história destes sítios porque não sou a pessoa indicada para o fazer. Quem se interessar tem os textos do Prof. Mariano Calado e do Sr. Fernando Engenheiro, onde está grande parte da informação existente. Eu vou dedicar-me sobretudo à relação que a cidade tem estabelecido com o seu património e fazer um balanço do estado atual de cada lugar.

Estes são alguns dos sítios por onde vamos passar:






Conhece-os? Todos? Nenhum? Um ou outro? Quais? Diga na caixa de comentários. A interatividade é uma cena fixe. :)